há tempos hábito o subsolo de mim,
e tem tempo que não suporto a dinâmica que se tem aqui fora.
É um tumulto, dias muito rápidos.
horas que são segundos.
Uma amargura toma o peito, como o ônibus cheio às 6h40 da manhã…
Peito esse com dupla função, às vezes cobra
Às vezes guia…
E já não me cabe esse espaço retangular, nem essas lógicas perversas
E depois disso um trabalho de 8h, que suga nos minutos-milenares a minha criatividade.
então, eu me pergunto:
Será que outra primavera chegará?
E outros outubros?
Será que na A13 alguém um dia romperá com a catraca? E quantos mais se apertarão nessa lata retangular? e será que minha existência aguentará tanta terceirização?
precarização?
modos de (não) viver
jeitos de (não) existir
nem resistir
nem persistir
e dizem que a utopia não urge
não surge
enquanto sua falta pune
cércea
e eu me pergunto:
será que primavera foi detida?
e o outubro cancelado?
