Pedro era comum. Esteticamente igual à milhares, que se encontra em qualquer esquina. Não era rico, não tinha um talento especial e muito menos algum dom. Porém, Pedro tinha carisma e sabia disso.

Quando estava com outras pessoas, Pedro era o mais bonito, o mais rico e aquele agraciado pelo dom divino de ser único e especial. As pessoas ao redor, contaminadas pelo rapaz que ali se vendia, pareciam atônitas, mergulhadas naquilo que Pedro queria que elas acreditassem.

Ele mesmo devia acreditar. Impossível ser apenas um personagem, que ao chegar em casa, se despiria e ali sob as roupas, sobraria insegurança. O ator e o personagem se uniram num caminho sem volta.

Pedro era fascinante. Assim como são fascinantes os pastores em igrejas, controlando seu rebanho. Pedro era invejável, tamanha desenvoltura pra viver. Todos queriam ser como Pedro, até mesmo ele próprio.

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