Endorfina e outras “drogas”

Há uns quatro meses eu comecei a me interessar por corrida. Talvez não quatro meses, talvez uns três. Não lembro, mas não tem importância. 
Comecei caminhando na esteira, bem a contra gosto, de cara amarrada, por obrigação. Obrigação sim. Estou pré diabética, já dava sinais de diabetes gestacional lá na gravidez que não evoluiu. Ou seja, ou me cuido ou me cuido né? Não tive opção. Mas voltando ao lance da obrigação… eu me arrastava na esteira, é bem verdade. Caminhava 30 minutos contando os minutos no relógio. Aí resolvi ensaiar um trotezinho. Baixei um app pra me ajudar. Fui indo, trotando um dia mais um pouco. Comprei um monitor de batimentos cardíacos mequetrefe na Decathlon, mas que cumpria o prometido. Afinal eu não ia gastar meus suados dinheiros com Garmin ou TomTom se eu nem sabia se ia engrenar né… Mas aí eu fui indo, com incentivo de um amigo do canal 1Km por vez, do marido e da endorfina. Ah, a endorfina! Você não sabe o que essa “droga” faz com você até sentir… Eu ouvia uns e outros dizerem que vicia e achava balela. Paguei a língua.
Chegou o dia da corrida da Mulher Maravilha que eu tinha me inscrito antes da gravidez. Obviamente não foi como eu gostaria. Na gestação não pude correr, mal podia caminhar (recomendações médicas). Passei uma semana em repouso absoluto, enfim, zero preparo. Não desisti. Fiz a corrida caminhando, conversando com uma amiga, afinal eu tinha acabado de passar pela curetagem. Ali eu decidi que nada ia me parar e que a próxima corrida seria corrida de verdade.

Eu vim falar da corrida pra vocês pq no começo eu jurava que não era pra mim, que nunca conseguiria correr mais que 1 minuto e hoje já estou superando os 15 minutos. Tá certo que o começo não é nada fácil. N-A-D-A. Você sente como se a Dona Morte viesse te buscar a cada km que você atinge, parece que o joelho vai desgrudar do resto e o pulmão parece mesmo sair pela boca. No meio de um desses momentos eu falei mentalmente pro meu corpo: “Eu mando em você, não o contrário. Você vai seguir até quando EU quiser parar”. Nesse momento eu descobri que estava tudo na minha mente. Os limites, a dor, a respiração, o esforço. Assim foi comigo. Aos poucos, com perseverança, com insistência. Me desafio a cada dia. É isso que me move. Não, não. Isso e a linda da endorfina.