Dabla Ferrestos
Sep 3, 2018 · 2 min read

Há bastante tempo escuto/leio que a maternidade é muito solitária, apesar de ser um momento importantíssimo e experiência única na vida de uma mulher… Sempre me perguntei sobre essa solidão, afinal, todos querem estar próximos de uma gestante, sentir os chutinhos do bebê, planejar um chá de fraldas, estar presente nas primeiras escolhas… Não é bem assim -pelo menos aqui não tem sido- as pessoas até curtem fazer uns “check-in’s" em torno da barriga e tal, mostrarem-se presentes e proativos nas redes -incrível como tudo em nossa vida gira em torno dessa presença virtual onipotente!- estando próximos da nova mãe e sua futura cria. Mas no dia a dia mesmo ninguém te manda um “oi sumida!” ou pergunta se tudo vai bem ou te convida para qualquercoisaqueseja… Acho que a gestação já um preparatório para o que vem pela frente: A temida solidão! A partir dali serão você, a cria e esse mundão de Deus, então, aqui vão algumas afirmações para quem está iniciando essa empreitada ou está próximo de alguém que está e se interessa -de verdade- por esse alguém :

  • O caminho é solitário mesmo, porque só você sabe o tanto de coisas mudando o tempo todo dentro (e fora) do seu corpo, e principalmente, da sua mente.
  • Seus amigos vão se afastar e você vai achar que todo mundo tem coisas muito melhores para fazer do que estar com você.
  • Você vai sentir vontade de dizer: “- Hey! Eu ainda sei conversar sobre outras coisas que não sejam bebês, enxovais e partos!” mas vai simplesmente concordar e sorrir quando alguém falar disso com você porque afinal essa pessoa está falando com você e isso já é uma conquista.

E aqui umas dicas:

  • Os meses vão passar rapidamente então tente se curtir e preparar as coisas para receber seu filho sem esperar que alguém te ofereça companhia ou ajuda.
  • Se curta. Faça programas sozinha.
  • Não perca oportunidades de passear.
  • Não perca tempo reparando nas pessoas que sumiram, talvez elas não voltem pra sua vida depois, e talvez seja melhor assim. Tudo bem, vocês viveram muitas coisas juntas antes e têm ótimas memórias.

No fim, talvez a gente só fique mais a fim desse lance de vida em grupo quando estamos gerando outra pessoa. Talvez seja nosso instinto de “animal social" que nos faça perceber o quanto somos distantes nos tempos modernos e por isso sentimos essa solidão toda. Talvez tenha sido assim a vida toda e só notamos agora. Talvez fosse mesmo bom convivermos mais mesmo sem motivos aparentes. Talvez poderíamos tentar resgatar esse instinto. Talvez não devêssemos “domesticar” nossos filhos tanto a ponto deles perderem o senso de comunidade. Talvez esse seja o propósito de nos sentirmos assim antes/durante a chegada de uma nova pessoa ao mundo.