Não é racional começar a trabalhar às 8h

E não sou eu dizendo, é um especialista em produtividade.

prfv, nunca te pedi nada

E falar desse assunto é tão exaustivo porque automaticamente você é rotulado como a pessoa que não consegue acordar cedo e, logo, não tem responsabilidade, é preguiçoso etc.

Barnes acredita que o favorecimento dos “madrugadores” é uma das razões pelas quais políticas de trabalho flexível volta e meia falham. O professor estudou uma série de empresas que introduziram o horário flexível e descobriu que trabalhadores que escolheram horários de entrada mais cedo eram frequentemente mais valorizados em avaliações de desempenho, mesmo se trabalhassem o mesmo número de horas de quem começava a jornada mais tarde.

Como o pesquisador diz, as empresas consideram as pessoas que madrugam na empresa como melhores. Acredito muito que uma boa parte dessa crença seja porque o marca-ponto é quase o único parâmetro de produtividade que as empresas têm. Se muitas não têm clareza nem de seus objetivos de negócio e público, como terão clareza sobre o que esperar do seu pessoal e como medir essa entrega?

Além disso, uma ainda maioria de empresas mantém e incentivam o modelo industrial, independente do segmento. Agem como linhas de fábricas que a esteira tem que começar a rodar com o sinal do apito e quanto mais cedo e quanto mais horas, mais produtos prontos pra embalar — logo, mais lucro.

Enxergam os talentos compartimentalizados. Um aperta a porca, outro enrosca e outro embala. Chamam de linha apenas porque uma coisa vem depois da outra, mas não porque elas são uma coisa só ou porque elas costuram algo maior.

Se você pode ter o melhor de uma pessoa de determinada forma, por que forçaria esta pessoa a trabalhar pela metade? Porque a maioria ainda prefere o controle à produtividade.

Alguns chefes preferem até ter uma equipe meio sonolenta, anestesiada que não esteja realmente despertas para questioná-lo. Para problematizar suas decisões.

Pessoas cochilando não falam “mas e se”.

ok, já vou fazer

E, tem mais, falamos “entrar às 8h” mas quase não lembramos das pessoas que têm que acordar 5h, ou até mais cedo, para chegar ao trabalho nos grandes centros. E que depois saem às 18h e chegam em casa às 20h. Que tempo essa pessoa tem para si? Para estudar, descansar, curtir outras coisas?

Infelizmente, estamos ainda longe de um cenário em que tanto empresas quanto colaboradores tenham maturidade para lidar com horário e produtividade, mas cada vez que empresas flexíveis ganham dinheiro (como diversas startups), mais as empresas engessadas são obrigadas a rever seu modelo de gestão.

E nós madrugamos esperando ansiosamente que seja logo.