O espelho

Tantas vezes ela se olhou no espelho e nada viu.

Viu só imagem, mas não viu vida, viu só vontade, mas não viu realizações.

Um passado todo para trás e nenhuma expectativa de futuro, os sonhos estavam sufocados.

Muitas foram as vezes em que o medo lhe sorriu de volta, zombando descaradamente dos momentos que sufocou sentimentos, que matou palavras, desistiu dos desejos sem nem ao menos pensar.

Ela olhou-se no espelho o nada que viu, lhe dizia tanta coisa!

Esse nada era cheio de músicas que não ouviu, lugares que não visitou, sentimentos que não explorou, pessoas que não abraçou, palavras que calou.

E ao lembrar-se do medo que zombeteiro lhe sorria, percebeu que ele ali sempre estaria, mas que também haveriam sorrisos para distribuir, pessoas para abraçar, sentimentos para explorar e palavras para falar.

Porque o espelho lhe mostrava algo oculto, muitas vezes esquecido.

Havia mesmo em meio ao medo, um brilho no olhar…

Um brilho que lhe dizia que ali dentro, uma mulher forte havia,

Que os sonhos sufocados lhe gritavam ,

Que coisas belas no futuro lhe esperavam,

Que cada novo dia é um presente,

E que ela pode vencer, desde que tente.