A neta de Cidinha Campos que há em nós

Nesses últimos dias, eu fiz muita piada com a neta da Cidinha Campos. Pra quem não sabe, durante o debate transmitido pela Rede Globo, Cidinha Campos se manifestou durante uma fala do candidato Freixo e ele lançou a seguinte pérola: Cidinha, você não gosta de mim, mas sua neta gosta.

A verdade é que existem muitas netas e netos de Cidinha por aí, muitos jovens que tem divergências ideológicas e políticas com seus familiares. Muitas vezes, isso é levado na brincadeira, porém na verdade isso dói. É uma característica da juventude respirar e almejar mudanças que muitas vezes se opõem aos ideias mais conservadores dos seus pais. E por muitas vezes, esses pais são Cidinha Campos. Talvez, por terem medo de mudanças ou por terem sido tão abafados, cegados, manipulados pela religião, pelo moralismo, pela ideologia, que não conseguem enxergar os pontos positivos do espírito revolucionário.

Os netos e netas de Cidinha, por sua vez, são as “ovelhas negras” da família. Aqueles modernos demais, humanizados demais, progressistas demais… Consequentemente, essas Cidinhas que existem por aí sentem uma NECESSIDADE (é essa palavra mesmo) de combater isso. Mas, por que? Você que é Cidinha, me diga porquê! Você não criou um jovem para pensar, discutir, combater as desigualdades sociais? Você não ensinou um jovem a pensar no outro, pensar no direito a humanidade? Por que o respeito a dignidade, a pluralidade, a mudança é tão diabólico pra vocês? Isso deveria ser motivo de orgulho! Não me entendam mal, ideologias que vão contra o direito a humanidade e dignidade humana devem ser combatidas e questionadas, o que eu quero falar não é sobre isso…

O fato é: existem muitas Cidinhas ai que têm medo de serem questionadas, desarticuladas e mudadas. Afinal, a mudança dói. Mudar exige pesquisa, questionamento, desconstrução. Não pensem que seus filhos, netos, sobrinhos, primos, quando querem mudar ou atualizar o que vocês pensam é para o mal de vocês. Muito pelo contrário, é porque eles querem tê-los juntos na luta por uma sociedade melhor. Acreditem, não ter vocês conosco também dói.