Ísis Falcão
Aug 28, 2017 · 3 min read

Taylor Swift foi de uma artista pop-country com um nicho (adolescentes de coração partido) para a figura de maior influência do cenário pop em questão de anos. Com o sucesso, as críticas à ela cresceram exponencialmente. Ou seriam elas as causadoras da explosão da cantora?

Os artistas vivem de imagem. Um álbum muito bom só vai ter visibilidade com o lançamento de clipes bem bolados, e da mesma maneira um muito ruim pode crescer midiaticamente assim. Se o artista estiver disposto a fazer amizades, a brigar ou criar intrigas e a namorar outros do meio; melhor.

Salvo alguns casos (violência contra mulher — Chris Brown, Dr. Luke), a maioria dessas brigas, términos e amizades passageiras são vazias e elaboradas apenas para o entretenimento do público. Dificilmente os envolvidos estarão chorando em casa depois de receberam uma indireta no twitter. O mais preocupante é a reação das pessoas a esses eventos. O interesse não termina após o click em um portal de fofocas para ficar por dentro daquela banalidade; muitos vão com sangue nos olhos para o espaço de comentários. Apontar que Taylor é uma “vagabunda mentirosa” por fazer uma música supostamente direcionada ao seu ex da One Direction, diz mais sobre o autor do comentário do que sobre os artistas.

Buzz, fofocas, boatos fomentam n intrigas na internet entre fãs (ou só palpiteiros mesmo) e mostram lados medonhos dos envolvidos. Tendem a se envolver de maneira intensa emocionalmente, defendendo ou atacando pessoas ricas e famosas que estão a milhas de distância.

Taylor teve a fase de sair com vários caras descolados e, após os términos, escrever várias músicas dedicadas a essas relações. O público se entretia adivinhando para qual deles era tal música, atacavam ou ela por ter feito a canção, ou o cara por ter sido um otário. E era constantemente chamada de vadia por ter se relacionado com todos eles. Depois, migrou para o pop e criou um “squad” de famosos, postando várias fotos de reuniões com seus novos amigos e até um clipe com seu grupo de amigas. Nessa época ela já tinha declarados “bolos” com famosos, como Kanye West (ele teria desmerecido um prêmio ganhado por ela) e Katy Perry (as duas disputaram um dançarino em uma turnê). Era acusada de falsidade, seja em razão dessas intrigas, ou de que suas supostas novas amizades eram forjadas.

Agora, no fim de agosto, lançou a música “Look What You Made Me Do” (que barrou “Despacito” de bater o recorde de 16 semanas em primeiro lugar no Hot 100 da Billboard), anunciou o álbum “Bad Reputation” e um clipe abraçando todas as críticas feitas a ela. Se ela tem talento ou não, é de se discutir. Mas que todas as críticas, perseguições e hipóteses boladas pela mídia e pela própria, foram essenciais para ela ter a visibilidade atual, é fato. E esse trabalho midiático só deu certo pela recepção calorosa do público em debater e aumentar tudo isso.

Está instalada a cultura do “pisão”, do artista x “barrou” ou “enterrou” artista y. Pode ser um reflexo da realidade cada vez mais competitiva atual. Não se sabe mais enaltecer uma cantora sem criticar outra. A tendência é ter mais comentários negativos do que positivos, independente do conteúdo.

O que eu gosto na Taylor Swift é que ela escancara o poder da mídia: como é fomentado rixas entre mulheres, o engrandecimento de um jantar entre um homem e uma mulher, a catástrofe que um simples tweet pode causar no mundo. Ela assume essa persona, a imagem de cobra que lhe é dada, e só olhando esse cenário com muita inocência você acha que isso é algum tipo de vingança pessoal dela ou algo do tipo. Vi o último vídeo dela rindo, pensando como Taylor e sua equipe construíram algo tão atrativo para o público que preciso até assistir duas vezes para pegar todas as referências.

Isso é mais uma constatação do que uma crítica, pois o mundo hollywoodiano vai continuar sendo vazio por muito tempo, assim como o machismo e o capitalismo seguirão operando. Mas o que quero apontar é como a sociedade parece não enxergar esses jogos premeditados e se envolve demasiado em discussões e disseminações de ódio por horas, envolvendo pessoas que provavelmente nem pensam daquela maneira de verdade e só disseram aquilo a mando do seu relações públicas.

)
Ísis Falcão

Written by

escrevo. sobre assuntos sérios e outros nem tanto.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade