Você agora está fazendo o programa do Jô?”, perguntou um Taxista para o Pedro Bial. Os dois programas/apresentadores revelam vantagens e o novo surge para que possamos apreciar a novidade, mas sem deixar de valorizar o velho.

A banda, antes do lado esquerdo, agora aparece do lado direito da tela; O sofá, antes do lado direito, agora do lado esquerdo. O Bira sumiu, o Alex também, a banda mudou. Só com esses pontos já é possível dizer que o Jô apresentava o “programa do Jô” e o Bial agora apresenta o “Conversa com Bial”, pra responder ao Taxista.

Jô tem a capacidade de transformar as entrevistas em conversas interessantíssimas, mesmo se o entrevistado for um completo sem graça. Além disso, é um intelectual carregado de referências. Bial, como bom jornalista, é também bom entrevistador. Sua figura não carrega uma densidade intelectual como a do Jô Soares, fato que deixa o programa um pouco mais leve.

Jô, na maioria das vezes, conduzia as entrevistas de modo bem clássico, com um bate e volta de perguntas, respostas e intervenções pontuais da plateia.
Bial comanda o programa com um dinamismo maior. O convidado aparece, depois surge outro convidado para comentar o primeiro convidado. Na maioria das vezes o segundo parece não ter uma relação muito lógica com o primeiro, mas logo o papo se desenrola. Zeca Pagodinho e Lira neto, Cármem Lúcia e Fernanda Torres, são alguns exemplos.

O Jô fazia questão de mencionar o teatro, peças em cartaz etc, afinal, aquele era o mundo dele. Bial eu não sei.

No início do programa, Jô arrancava nossas gargalhadas com piadas e a citação de nomes estranhos. Bial sempre introduz uma mensagem interessante que lembra os dias de paredão no BBB.

Jô é bom, Bial também é. Cada um, com suas diferenças, convergências e singularidades, representa um tempo da TV e da sociedade brasileira. Não é preciso escolher.

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