O rosto que mostro
é o mesmo
que escondo

Em cada gota de sangue,
cada gota do meu sangue pinga,
meia-noite, a pia

O olho que vejo
é o mesmo
que cego

A cada sono partido,
o cantar dos pneus,
noturno, soturno, ronda

A boca que cala
é a mesma
que morde

Os futuros imprevistos,
caminhos partidos,
partidas súbitas

A mão que bate
é a mesma
que acaricia.

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