2015

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fico rubra ao ler

qualquer escritor contemporâneo

que versa sobre a metonímia velada

do “sexo que arde”

do “membro duro”,

censurável,

jeito feio de disfarçar as vergonhas.

-vergonha pra quem?

melhor não reduzir o todo pela parte

melhor não reduzir o prazer a um eufemismo.

por isso, me atraem mais os filósofos de botequim

de língua solta, sem pudor ou culpa

quem falam em paus, cacetes, bocetas

e gozam

de boca cheia.

só que eles,

mesmo assim

ainda nos tomam

como “flor”.

Então, faça-me um favor:

Enfia essa flor no

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Ando vadiando demais

vagabundeando

puta demais.

Quero dizer que ando flanando por aí

sem emprego

com ódio do mundo.

Mas, como sou mulher,

não posso ser vadia

vagabunda

puta.

E mesmo que seja

não me é permitido estar puta.

Se fosse Ricardo,

se fosse Fernando

ou Chico

seria “flaneur”

vagabundo malandro das ruas

puto com o sistema.

Só mais um intelectual boêmio.

- e ainda soa charmoso. -

Mas não sou nada disso,

sou apenas Maria

e Maria, como sabem

é vai com as outras

é xingamento

Maria é

(insira aqui algum objeto que me rotule como mulher que gosta de namorar homens de profissão específica)

Maria é mulher-objeto

Maria somos todos nós contra o mundo.

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