Responsabilidade Emocional

Nós sempre somos responsáveis pelas nossas atitudes e reações emocionais. Ainda que o estímulo inicial para aquela emoção possa ser considerado negativo, o modo como iremos reagir frente àquela situação é algo que cabe apenas a nós. É o nosso modo de perceber, receber e internalizar aquele estímulo que vai de fato gerar as nossas emoções.

É algo nosso, e jamais do outro. Perceber isso é o primeiro passo para se livrar da culpa que cega, aquela culpa que atribui erroneamente aos outros a responsabilidade por aquilo que nós estamos sentindo. O estímulo pode ser exterior, a resposta é sempre interior. Perceber claramente este hiato entre nós e o mundo significa ganhar muito em termos de autoconsciência emocional.

Em um nível ainda mais profundo, este autoconhecimento corresponde ao que a psicologia junguiana denomina de resgatar as nossas projeções. Temos a tendência de projetarmos aos acontecimentos e às pessoas a nossa volta, um reflexo inconsciente de algo que na verdade está ocorrendo internamente. Isso termina por superdimensionar de forma negativa uma situação emocional, diminuindo nossa resposta racional àquela situação, e deste modo nos fazendo agir de uma maneira menos compreensiva e pacífica.

Um dos maiores desafios na hora de exercer a compaixão ou de vivenciar a comunicação não-violenta, é justamente a superação deste modo automático de reação que todos nós temos. Estas atitudes automáticas de raiva, medo, criticas ou julgamentos morais que surgem diante de um estimulo emocional negativo, nos fazem entrar na armadilha de confundirmos a nossa percepção interior com a realidade exterior. Somos então “tomados” por aquela emoção e acreditamos que nossa reação é algo que decorreu naturalmente daquele fato.

Temos a tendência de atribuir uma origem causal ao que sentimos, ao acreditar que nossas emoções são sempre uma consequência de algo que aconteceu antes, e fora de nós. Ou seja, aquilo que sentimos se deveu a algo que nos aconteceu de fora pra dentro. Não é verdade.

Nós sempre poderemos reagir de uma forma diferente, mais serena e compassiva. Grande parte do que significa amadurecer emocionalmente diz respeito a nossa capacidade de termos uma atitude mais ponderada frente aos reveses das vida, assumindo nossa parte de responsabilidade por eles. E ao mesmo tempo, não permitindo que o acontecimento exterior, por pior que possa parecer, consiga destruir totalmente a nossa paz mental.

Além do que, precisamos lembrar que as emoções também podem ser autogeradas, que não são apenas uma reação a algo externo mas antes uma energia de ação nascida de dentro de nós. Precisamos resgatar este papel criador no que se refere aos sentimentos, saber que nós poderemos gerar uma emoção espontaneamente se assim desejarmos. Com este empoderamento interno, passarmos a ter uma atitude menos reativa e mais compassiva no mundo.

Reconhecer nosso papel como criadores de nosso mundo emocional é o mesmo que reconhecermos nossa responsabilidade emocional. É nos reconhecermos autônomos no melhor sentido kantiano, ou seja, como seres capazes de agir no mundo de forma ponderada, livres de qualquer pressão externa.

A valorização do papel criativo e positivo que sempre poderemos desempenhar ao lidarmos com uma situação conflituosa, é um dos princípios basilares da Comunicação Não-Violenta, muito bem exemplificada por Marshall Rosenberg no vídeo abaixo:

***No próximo dia 16 de junho estaremos fazendo uma oficina sobre Comunicação Compassiva no Rio de Janeiro, e abordaremos este e outros temas relacionados a responsabilidade emocional. Saiba mais nos dois links abaixo: 
https://www.facebook.com/Forpeace.EscutaCompassiva/

https://web.facebook.com/events/228002797973786/