Decidir.

Somos convidados a fazer isto todos os dias. Das situações mais triviais, na prateleira do supermercado, até às mais complexas, onde precisamos escolher entre permanecer em uma carreira ou adotar outra. Por mais informações que tenhamos tido à disposição ao longo da vida e por mais apoio que tenhamos recebido daqueles que mais aquecem o nosso coração, nem sempre é fácil decidir. Sobretudo quando não demos e continuamos não encontrando espaço na nossa vida, para conhecermos e (re)conhermos nós mesmos.

Quando foi a última vez que você se permitiu avaliar todas as escolhas que você fez nos últimos anos? Sobretudo daquelas que marcaram, de alguma forma você.

Quando foi a última vez que você se viu — ou se permitiu ver — como o protagonista da sua própria vida? E quando que você percebeu (e se já percebeu) que até a decisão de ‘deixar que alguém decida por você’ também é escolha sua?

Vivemos em um mundo que vem transformando a percepção de ‘tempo’ ao qual nos alinhamos durante longos anos e que a cada dia mais nos pressiona para sermos tão velozes quanto um clique. Aprendemos, por osmose talvez, a nos escondermos atrás do discurso “não tenho tempo”, “não consigo encontrar tempo”, “meu dia-a-dia me consome e não sobra tempo”. E assim, exatamente neste dia após dia, que vamos nos perdendo em nós mesmos, deixando de avaliar o que para nós é importante, o que nos faz sentido, o que nos machuca de fato, nos arranca sorrisos e nos faz bem. Escolhemos que ‘o tempo’ (uma verdadeira entidade imaginária) decida por nós.

Aí, quando vemos, a nossa vida já se tornou um grande mosaico de coisas que nos incomodam e não lembramos que cada fragmento desse quadro de insatisfações passaram por escolhas que fizemos. Obrigatoriamente.

Qual a sua próxima decisão? E se ela fosse começar a pensar no ‘tempo’?