O hoje é fruto do ontem

- e de tantos outros anteontens que por muitas vezes esquecemos porque não nos permitimos ver.

Cada pedacinho que foi trazido para a nossa vida pelas pessoas ou pelas circunstâncias e escolhas, tenham sido elas boas ou ruins, ficam conosco e acabam por compor o que somos no presente e o que seremos no futuro.

Os dias mais despretensiosos de almoço em família, de viagem em ônibus lotado, de ida no supermercado, até aquele em que a gente tropeça na rua e sente a maior vergonha do mundo.

São justamente esses, os mais comuns, a maioria dos que vivemos, que tecem o nosso amanhã.

Quem eu cumprimentei hoje, que rua que eu entrei e percebi algo diferente, que comentário que fiz e que nunca tinha pensado a respeito antes, que mensagem que enviei que, sem perceber, foi repetição de tantas outras que redigi em dias passados?

Que música que eu venho ouvindo repetidamente e que, sem que eu note, será a minha ponte no futuro para os dias de hoje? A minha nostalgia para o início deste ano?

Será que estamos usando os óculos que nos permitem enxergar o simples e o valor que isso tem na construção da nossa trajetória e história como indivíduos? Será que dimensionamos corretamente o tamanho que o dia-a-dia tem?

O quotidiano não é apenas um background dos nossos sonhos. O bastidor da nossa vida, que “passa despercebido e depois ninguém nem lembra quase”.

É justamente nele que acontece a maior quantidade de cenas que vivenciamos no palco da nossa “comum” existência.