23 de Fevereiro. A alta de Bem do hospital e sua chegada em casa finalmente se tornava realidade. Cada passo era marcado pela euforia.

É estranho pensar assim, mas eu me sentia como se estivesse ido pegar um bebê adotado. Era uma sensação estranha, afinal, fui buscar meu filho. Não havia uma “ordem natural das coisas”. Foi diferente. Vivi uma mistura absurda de sentimentos, mas o maior deles sem sombra de dúvidas, se chamava fe-li-ci-da-de.

Tenho essas fotos pra mim como se fosse aquele famoso registro da hora do parto :). Esse foi de fato nossa "primeira foto de família", sem equipamentos e roupa hospitalar compondo a foto.

Tudo era novidade. Me lembro de ficar ansiosa pra trocar a primeira fralda e pra alimentá-lo a primeira vez ahahahaha. Esperei taaaaanto por esses momentos e "agora" sim era “vida real”, agora sim, me sentia mãe (será?!).

Eu mal sabia pegá-lo no colo. Ele chegou tão pequenininho, molinho, ainda pesando 2.100kg. Quanta responsa!

Qual roupinha vestir? Onde colocá-lo? Ele está com calor? Será que não está frio? Abro ou fecho a janela? Acordo ele pra comer? Deixo dormir? As dúvidas eram muitas nesse primeiro dia.

Logo no segundo dia em casa, recebemos a companhia de Tia Iana e da priminha Fefê. Iana, minha irmã do meio, me ajudou muito, e com sua experiência de mãe me deu muita segurança, tranquilidade e calmaria, nesse novo momento cheio de novas e delicadas funções.

Primeira encontro de Tia Iana e Fefê com Bem ❤
Primeiro encontro de Tia (dinda) Vivi com Bemzinho. Muito emocionante ❤

Nesses primeiros dias seguíamos uma série de recomendações dadas pela equipe da UTI NEO, lembro que elas se disponibilizaram para tirarmos qualquer dúvida por telefone e assim fizemos. Nos 3 primeiros dias lembro de ligar tarde da madrugada e a equipe me atender sempre muito solícita.

Bem teve alta, como comentado em posts anteriores, sugando. Quando ainda internado, até a 34ª semana ele era alimentado por sonda com um pouquinho do leite que eu conseguia ordenhar e o restante de leite artificial.
A partir da 34ª semana, começaram os exercícios para sucção e introduziram a MA-MA-DEI-RA, o que eu mal sabia, seria meu futuro grande pesadelo.
O primeiro contato alimentar de Bem, que deveria ter sido com o peito, foi com o bico artificial da mamadeira, dando assim um padrão errado de sucção, totalmente diferente de como funciona no peito.

Dentre a lista de recomendações tinha escrito: leite materno em livre demanda. Mas que leite? Eu mal produzia leite (afinal, tive Bem com 7 meses de gestação, meu corpo ainda estava se preparava para amamentar posteriormente)e Bem mal sabia mamar.

Na UTI eu tentei MUITO, pedi repetidamente que tivéssemos nosso momento, mas eu só consegui que acontecesse uma vez e foi desastroso. Bem não sabia o que fazer com o peito, mal conseguiu sugá-lo, fui mal/pouco orientada e por aí ficou. Não repetiram mais a experiência.

A minha produção de leite era muito baixa e na UTI NEO senti muita dificuldade e falta de orientação. Lá eles não possuíam banco de leite, faziam estoques para uso breve e através de uma sala de ordenha.
Elas orientavam a assepsia, me colocaram diantes de uma bomba elétrica para ordenhar e ponto final.
No início eu conseguia tirar 15ml. Pouco, muito pouco.
Com toda falta de estimulação e de orientação, e com toda delicadeza do momento, meu emocional estava muito abalado, o que acabou afetando a minha produção.

Já em casa, a orientação era pra continuar com o leite artificial e ir introduzindo o leite materno, que eu acreditava que ao poucos conseguiria tirar totalmente da mamadeira e ficar somente no peito.

Na primeira semana em casa as tentativas foram muitas, todas sem sucesso. Poderia ser cômodo pra mim aquela situação, principalmente porque o pai poderia me ajudar nesse papel alimentar que até os 6 meses é exclusivo da mãe, mas não era aquele meu desejo.
Além de sonhar com esse nosso momento, eu também me preocupava muito com a saúde de Bem, sabia da importância do leite materno para sua imunidade e desenvolvimento.
Cheguei a buscar contato de algumas consultoras de aleitamento mas Jurema, minha amiga, me deu a ideia de procurar um banco de leite, e assim fiz.

A partir daí, começa a saga e mudança do curso da nossa história, com o encontro com duas profissionais muito competentes, cuidadosas e dedicadas com a nossa causa.
Nos próximos posts contarei em detalhes, todas as etapas, desafios, dificuldades e vitórias que passamos :)