
19.01.2015, segunda-feira, e eu ainda estava no Hospital. Por conta da infecção urinária, precisei ficar mais um tempo internada e monitorada.
Por um lado eu gostava, pois poderia ficar mais próxima de Bem, por outro me angustiava, pois não gosto do ambiente hospitalar .
Depois do domingo eufórico, cheio de visitas e feliz, dormi preocupada:
ver meu Bem tão pequeno e frágil me provocou uma dor in-des-cri-tí-vel.
Aquele era apenas o primeiro dia e a ficha ainda não tinha caído, eu ainda não entendia direito o que enfrentaria pela frente, ainda estava ali do ladinho dele, há poucos metros da UTI NEO.
A previsão da internação dele foi de 5 semanas, ou seja, 35 dias. Confesso que foi ainda melhor do imaginávamos (nos primeiros instantes achei que ele ficaria por pelo menos 2 meses). No HJV eles dão alta quando o bebê completa o que seria 36 semanas de gestação + pesando 2kg + sugando.
Já eu fiquei 3 dias internada, ainda cheia de cuidados, tomando muitos remédios e visitando Bem sempre que podia. O Hospital tinha horários de visita e eu tentava aproveitar o máximo enquanto estava lá. A vontade que me dava era de ficar o tempo inteiro com ele, de cuidar dele, de alimentá-lo, trocar a fraldinha, dar muito carinho. Mas não, eu pouco podia fazer, e como isso me entristecia.

Nos primeiros dias, Bem ficou em uma incubadora (não sei se posso chamar assim) que ficava aberta, para, em caso de urgência, facilitar o trabalho das médicas e enfermeiras, agilizando qualquer possível procedimento.
Nesses 3 primeiros dias, comecei a me perguntar e me preocupar com a amamentação. Lembro que uma enfermeira veio me visitar no apartamento do Hospital, para checar como estava minha produção, e como esperado, afinal de contas Bem nasceu com recém 7 meses completos, minha produção ainda era muita baixa. Em apenas um dos seios saiu uma gota de leite.
Afoita por maiores informações e orientações, na terça-feira, eu soube da existência da sala de ordenha, que fica dentro da UTI NEO, onde as mães podem ordenhar com uma bomba elétrica e todo leite tirado eles armazenam para dar aos respectivos RNS (recém nascidos :D) internados.
No primeiro dia que fui, segui todas as orientações, lavar as mãos e braços, depois as mamas, vestir toda a roupa descartável e iniciar a ordenha.
Consegui tirar 15ml e me senti uma vaca leiteira ahahahahahahahahah. Pra mim aquilo já era uma GRANDE vitória.
Bem começou a se alimentar com 2ml, somente, e a partir da aceitação dele eles iam aumentando a quantidade. Tudo o que eu ordenhava uma vez por dia já servia para um dos horários da alimentação dele. Foi uma vitória, pois ele pode tomar, acredito eu, o colostro, tão importante para o bebê nos primeiros dias.

Bemzinho seguia sem maiores intercorrências, mas lutava contra uma infecção que estava sendo tratada com antibióticos.
Na primeira semana, Bem teve uma queda de peso, normal em qualquer bebê dentro da margem de 10%, mas aos pouquinhos já dava sinais de recuperação. Ficávamos sempre muito impressionados com a capacidade que esses pequenos tem. Eles são extremamente guerreiros, muito fortes, apesar da aparência tão frágil.
Na vivência de "mãe de UTI", como chamam as mães de prematuros, começava a conhecer alguns daqueles bebês que estavam ali internados como meu Bem, suas histórias, vitórias e dificuldades. Superação era a palavra da vez.
Logo nos primeiros dias aprendi que ter um filho prematuro é comemorar cada pequena vitória e acreditar nelas, na importância de cada uma delas. No seu poder! Primeira das muitas lições de vida que tiramos dessa fase do nosso amado Bem. ❤