Crítica: The Neon Demon

Admito que, não sei se a ideia de um novo filme de Refn jogado para o mundo, é uma coisa boa para se pensar. Eu não vi nada de bom nesse filme e quanto mais eu penso sobre ele, mais eu desgosto ainda mais.

Diferente de Drive (2012) e Only God Forgive (2013), onde existe a ideia da punição exagerada e alienista, aqui, em The Neon Demon, não existe sequer uma ideia. Assumo que Only God Forvige não está na minha lista favorita, em Drive, eu consigo entender a premissa e os quadros maravilhosos de Refn, mas em melhores mãos, alguém poderia ter produzido algo muito melhor com a configuração desse filme. Mas ainda assim, deve ser difícil, até mesmo comigo, em papel de crítica, trabalhar com um filme que não oferece nada ao público. Quer dizer.

Eu darei o crédito para os últimos cinco minutos do filme como uma das partes boas do filme, eu realmente não esperava nada daquilo acontecer, e oferece um pouco sobre o que pensar em relação ao filme. E como as outras críticas que li sobre o filme gostaram de ressaltar, eu também devo exaltar o trabalho de cores desse filme. Esse é um filme visualmente, bonito. Com cores em formas impressionistas e chapadas. Se existe uma coisa em que eu possa dar o total crédito para Refn, é seu trabalho com a câmera. Ele conseguiu administrar muito bem os ângulos e principalmente trabalhar com o espelho como um próprio personagem e não só um acessório. E, é sempre bom ver um filme com tanta cor, quanto esse.

Mas o que esse filme não oferece, é uma história ou personagens, ou qualquer outra razão para esse filme existir. Se você que está lendo essa crítica gostou do filme, então me diga o proposito desses vazios e tediosos pedaços de obra de arte que poderiam ter sido refinadas em um curta de dez minutos, apenas?

Jesse (Elle Fanning) é uma menina de 16 anos, cheia de força de vontade, que acabou de chegar em L.A. Ela é então, contratada por uma agência de modelos e faz amizade com a maquiadora Ruby (Jena Malone), que também trabalha como legista embelezando cadáveres no necrotério da cidade. Jesse, sobe rapidamente na hierarquia do mundo da moda, por conta de seu rosto jovem e sua atitude pura. Ela faz inimigos junto as modelos mais antigas, que se sentem ameaçadas por ela. E Keanu Reeves interpreta o dono de um hotel barato que rasga a garganta de Jesse com um faca para se divertir. Ou tudo não passou de um sonho. Ao menos eu acho que foi.

Depois, há um meio termo no filme que envolve, necrofilia, assassinato e para melhorar, canibalismo. E mesmo após o canibalismo filme ainda continua por mas quinze minutos! The Neon Demon não tem quase enredo o suficiente ou qualquer outra substância para que Rrfn possa colocar suas idias em execução. O filme tem quase duas horas, uma cena triste atras da outra, pretensiosas e artisticamente auto-indulgente. E ainda há segmentos de cena tão longos que eu fiquei tão confusa, que ouso dizer que eu nem sei o que aconteceu — e eu assisti esse filme duas vezes -

Talvez, se eu não esteja completamente enganada, ele tentou fazer alguma coisa que nos lembrasse um pouco de David Lynch, como Lost Highway e Mulholland Drive ( que recentemente foi eleito o melhor filme, até agora, do século XXI pela BBC). Mas, diferente do trabalho de Lynch, em The Neon Demon não existe nada. O problema dos filmes de Refn, é que ele quer dar essa linha de temas óbvios com imagens avassaladoras e espera que isso seja o suficiente. Me desculpe, mas não é. Com The Neon Demon, Refn volta sobre o nível de superficialidade dentro da industria da moda, mas acho que já sabíamos disso, não é? O quanto as pessoas nesse mundo podem ser superficiais? O quanto as mulheres são exploradas por sua beleza e logo expulsas pelo sinal de rugas? Não há justificativa para seus excessos de tela que possa segurar esses temas tão rasos. Ele se preocupa muito mais com o shot principal da câmera do que em contar uma história. Mas ai, também não acho que contar uma história seja seu objetivo principal, acredito eu, que ele está mais preocupado em construir essa experiência visual dinâmica e imersiva no público. Só que ate agora, não esta funcionando.

Qualquer pessoa pode obter uma forte resposta por mostrar uma cena de sexo com necrofilia, mas essa cena se encaixa no que o desenvolvimento do enredo? Definitivamente não. As coisas simplesmente acontecem. Isso também foi anunciado como filme de terror de Refn, mas não há nada realmente terrível, pelo menos do ponto de vista intencional. Você não sente qualquer sensação de perigo ou mesmo um sentimento de incerteza até o final, e então o filme tem esse impacto preguiçoso com elementos de terror jogados dentro da tela, perambulando por ai.

The Neon Demon é uma experiência um tanto quanto, desagradável intelectualmente pobre e monótona. É muito raso para ter uma verdadeira crítica do que é a beleza, do que representa o belo, e também forçado demais para transformar os personagens e a história em peças interessantes. Ainda acho que Refn funcionaria muito melhor, se ele explorasse suas ideias como curtas. Teria mais liberdade para experimentar e não ficaria com esse vazio no meio dos seus filmes onde a história empaca e nada sai. A ideia de The Neon Demon foi falha e muito, muito mal executada.

Cinema ATM