Final de mês

O mês pós balões, quentão, milho assado e sopa de ervilha está acabando. Hoje lembrei que uma amiga disse que JULHO seria o mês da mudança. O mês da energia positiva. Na hora eu apenas concordei na loucura, rindo da ironia de existir em pleno meado de 2017 uma coisa boa ainda para acontecer. Mas enquanto eu olho para o céu e observo o último balão tomar pleno fôlego com seu ar quente pela noite, eu agora me pego rindo da ironia de que ela estava certa.

JULHO sim, foi o mês da mudança.

Eu arrumei minha casa, parei de enrolar e apresentei meu trabalho final da faculdade, comecei a escrever meu livro a todo vapor e voltei a pensar no amor.

Não um amor de filme construído, mas um amor pleno, cheio de vida, onde a possibilidade de gostar de alguém pode existir sem a pressão ou medo que existe na realidade. O balão continua a subir e quanto mais ele se ergue no céu, meus olhos seguem a direção do ponto vermelho, encontrando as estrelas perante a imensidão do azul e agora, em pleno final de JULHO, estou eu a fazer poesia. Quem diria?

Reunindo todos esses pensamentos em um só eu percebi que quando a minha amiga, lá no finalzinho de JUNHO, disse que esse seria o mês da mudança, ela não quis dizer que eu ganharia na loteria ou que eu encontraria um baú cheio de ouro no final da rua.

Não.

Essa mudança foi de repente. Eu não estava esperando. Não estava aguardando com uma torta quente no forno ou uma cerveja na geladeira. Nem arrumei a casa para ela chegar, recebi na bagunça mesmo, no caus de uma manhã fria de segunda feira. Eu me peguei sorrindo, para o nada, em meio a minha sala, e foi ai que percebi que eu já estava mudando.

Quando levantei do sofá e resolvi arrumar a casa, eu já não era a mesma.

Quando percebi que me abrir para o amor que existe dentro de mim, sem esperar ser correspondida pelo além, eu já não era a mesma.

Quando percebi que a felicidade existe ao saber que solidão não é mesma coisa que estar sozinha, eu já não era a mesma.

Essa foi a mudança que ela anunciou lá naquele comentário, seguido de um coração.

A mudança desse amor universal e intenso que ela prega à quatro ventos que eu custava a acreditar.

O balão já está tão alto no céu que inclino meu pescoço para trás para poder enxergar um ponto distante a se mover pelo infinito.

E agora, respirando fundo eu aceito e abraço esse adeus agridoce do mês de JULHO. Pronta para o inevitável e inesperado do próximo recomeço.

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