Nós na garganta

Dandara Baçã
Sep 2, 2018 · 2 min read

A Universidade de Brasília me deixou com nós na garganta.

Fui no médico essa semana e ele disse que minhas cordas vocais estão com uma rachadura. Esse foi causado pelo nó na garganta que a UnB me deu em pouco tempo em que lá estive. Entre sonos e ausências de uma graduação e agora em 19 meses de mestrado profissional

Eu tinha voltado antes por causada da extensão. Toda sonhadora. Quixoteana. Sonhadora. Na verdade eu acho que sou um Sancho á procura de Quixotes para seguir e esse é o meu mal. Acredito no que os outros falam e hoje e depois o peso cai nas costas de forma bigornal.

Eu pensava que ser mestre ia me fazer pelo menos popular. Mas foi a coisa boa na hora errada. Veio no momento da minha fraqueza mental, em que eu não consigo fazer nada, em que o sorriso dura muito pouco. Em que a felicidade escorre como caganeira pelo cu. A depressão faz isso, e dessa vez ela veio com força, veio pra mostrar que é rainha e dona de mim. Parece até uma deusa, uma louca, uma feiticeira. Tomo muitos remédios para viver melhor, pelo meu bem viver, mas não está adiantando.

Certo final de semana gastei 45 reais e fiquei um dia inteiro numa casa de grã fina no Lago Sul ouvindo sobre comunicação não violenta. Pensei, pode ser minha salvação. Mas eu não quero ser salva, eu não quero salvar. Eu quero ser amada, ser compreendida. Porque a história só tem um lado da loba mal que come as pessoas que são grosseiras e que tem que se humilhar e pedir desculpas.

Minha vida tem um padrão. Estou feliz com algo, me empolgo, começo a me envolver e fazer as coisas referentes aquela coisas. As pessoas vendo minha empolgação se afastam se justificam dizendo que querem me deixar a vontade, ou que eu não dou espaço para elas, ou que elas não estão prontas para trabalhar comigo. Então fico sozinha. Mesmo sozinha como estou na vibe, meto bala, faço acontecer, fico feliz, me esforço. Consigo agregar várias pessoas. Várias pessoas são beneficiadas. Começam as fofocas sobre mim. Eu estou muito empolgada, nem fico sabendo, ou não me importo. As fofocas tomam proporção muito grande, alguém me conta, eu fico puta, acho injusto. Vou tirar satisfação. Sou expulsa. Tristeza, luto, recomeço, felicidade, emolgação….

Estou cansada desses ciclos e de viver. Eu sinceramente queria ter uma doença e morrer. Queria que minha vida terminasse logo. Não faz sentido viver para esse tipo de vórtice.

Isso tipo de coisa aconteceu no Simplesmente Amar da igreja católica, Via Sacra da igreja católica. E agora na Corpolítica

Dandara Baçã

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Casada com a Pollyana, mãe da Tulipa, estudante de direito, saúde e informação