Desprendo-me das linhas de um poema

Desato os pontos da costura

Solto a linha da pipa

Deixo-me perder o controle

A chuva apaga a amarelinha

Os bebedouros da varanda já não atraem mais os beija-flores

As estrelas desprendem-se do céu

A neblina só desaparece com o que não quero enxergar

O orvalho agora pinga do meu teto

E escorregam pelos olhos

Os pensamentos escoam pelo vão dos dedos feito areia que manda na ampulheta

O relógio gira ao contrário

E a vista só depende do ponto