Os caminhos do ensino no Brasil

Falar sobre educação no Brasil é sempre delicado. Pela história do nosso país, percebe-se que nunca foi fácil implementar novas práticas, pois assim como em quase tudo (98% das coisas eu diria) a burocracia dos processos sempre fazem com que novidades apareçam com um tempo defasado.

Não poderia ser diferente no que se refere a oferta do ensino, seja ele gratuito ou pago. Percebemos que grandes ‘máfias’ ou no mínimo cartéis são montados, tudo para que se perpetue no poder e nos lucros exorbitantes sempre as mesmas figurinhas carimbadas.

Para se ter uma boa educação hoje, deve-se rebaixar ou submeter-se aos moldes impostos. Enquanto vemos ao redor do mundo avanços consideráveis em interações nas aulas, sem contar a conveniência do ensino a distância (EaD), no Brasil tudo engatinha. Para se ter uma boa formação, das duas uma: ou você se abstem da existência social e até mesmo profissional, ou PAGA CARO para ter um ensino mais flexível.

Não sei ao certo o que as mentes dominantes da educação brasileira pensam. Dificultar o acesso ao conhecimento científico não me parece uma coisa inteligente. Para se formar em uma universidade pública (seja ela Estadual ou Federal) é preciso ter muita garra! Passar no vestibular (ou uma boa nota no Enem) já nem é a maior preocupação. Entrar está mais fácil, dificil tem sido terminar o curso, seja por greves sem fim ou por chegar quase ao fim do curso e não ver nada de ‘novo’ ou prático até então, pela precária estrutura da grande maioria das universidades.

Se formos falar de Mestrato/Doutorado, ixi. É quase um sacerdócio conseguir concluir um desses cursos em universidades públicas brasileiras. Não se pode trabalhar nem ter vida social. Não se tem tempo nem mesmo para fazer uma pesquisa real, elaborada e prática, pois é exigido mais teoria e horas sentadas em cadeiras (geralmente pouco confortáveis) do que a real alma de cientista.

Não vou aqui cometer injustiças, pois as IF’s(Institutos Federais) tem sido uma válvula de escape. Desde o (re)surgimento dessas escolas técnicas federais os projetos de pesquisa e o fomento a busca do ‘novo’, novas áreas profissionais tem aumentado bastante. Mas ainda é pouco.

Não adianta cobrir uma perna puxando o lençol e descobrir o outro lado. Pouco efeito teremos em repartir migalhas entre IF’s e UF’s(universidades federais). É preciso expandir, ofertar mais vagas em cursos de Mestrados, Mestrados Profissionais, Doutorados. É necessário que os ‘donos do saber’, os senhores perpétuos das cadeiras acadêmicas dêem espaço e oportunidade a nova geração.

Precisamos de uma sociedade onde o rico e o pobre possam estudar e ter as reais mesmas condições. Precisamos de novas Escolas, não apenas em números, mas em estrutura de salas, modernizar os curriculos, as matérias, os profissionais da educação. O governo e a sociedade consciente e que cobra seus direitos, terão que decidir. Ou investimentos em conhecimento, ou teremos que investir em mais presídios e celas individuais. Pois se a educação e a socialização não vierem por BEM, virão por mal.