A Mari segue suada

Talvez você conheça a Mari. Talvez não. Talvez, como a maioria dos mais de 100 mil seguidores do Instagram, ou os 62 mil seguidores do Twitter, você saiba quem é a Mari da internet, mas acontece que na vida real ela é diferente. Mas não vem ao caso agora.

Com frequência,pessoas da vida real são diferentes delas mesmas na internet. Normal. Acontece que a Mari, enquanto você está lendo o que ela escreve nas redes, ou olhando as fotos dela com pratos lindos em restaurantes caros ao lado de drinks elaborados, está suada. Suando. Sem pausa. E rindo.

É importante dizer isso, do estar rindo. Porque tem muita gente que sua. É biológico, né. E sua pelas mais variadas razões. Mas uma minoria desses suam rindo. Muitos sofrem, suam de dor, de cansaço, de medo. Mas não a Mari. A Mari sua porque gosta muito, muito mesmo. Dia desses me disseram “mas parece que ela tá sempre suada” e eu pensei sobre essa frase muito tempo depois. Foi por isso que eu decidi escrever sobre isso. Sobre o suor da Mari. É um fato. A Mari tá sempre suada no imaginário popular. Faz sentido.

A Mari já foi musa gamer, musa de revista, já foi influenciadora digital de hambúrguer, já foi RP de marcas famosas, já foi, ela mesma, uma espécie de marca, e é, para os mais desafinados, a “mina do Badauí”, mas para mim nada define melhor a Mari do que a alcunha “Mari do Crossfit”. Porque ela é do crossfit. Acima de tudo. Apesar de tudo. E ponto.

E quando digo que ela é do crossfit não quero dizer apenas que ela é praticante. Ela pertence ao. É propriedade do. De posse de. Entende? Não é algo ao qual ela faz parte. É algo ao qual ela está completamente ligada. Porque é dependência, né?!

Ao lado de mais duas meninas samurais, tão ou mais fortes que ela, a Mari vive uma agenda de só não ir ao crossfit em caso de morte. Morte dela mesma, claro, porque as pessoas que poderiam morrer para fazer com que ela não fosse ao treino… bem, não morrem mais. Sendo assim, acima de tudo, de todos e de qualquer circunstância, o crossfit.

A Mari segue suada. Segue suada sendo uma das pessoas mais disciplinadas que eu eu já conheci quando o assunto é esporte amador. E a Mari não ganha pra isso. Não compete. Não tem patrocínio. Não representa equipe. Não precisa nem estar ali se não quiser. Mas quer. E muito!

Snatchs. Double unders. Muscle ups. Dead lifts. HSPUs. Pra mim, a morte. Pra ela, prazer. Suor e prazer. Faça chuva. Faça sol. Faça um tempo de merda. Sempre suada. Sempre suando. Sempre no treino. Se tem de sábado, ela tá lá. Se tem de domingo, está também. Se der pra ser duas vezes no dia, por que não? Enquanto a gente vive, a Mari sua. E vive suando. E sua porque quer. Afinal, com o corpo em forma ela já está há anos.

Lembro uma vez que passei todos os finais de semana de um mês ajudando meu pai a fazer a mudança do escritório da empresa que ele tinha. A mudança consistiu, boa parte, em carregar coisas inimaginavelmente pesadas, como uma caixa de canos de cobre que passava dos 200 kg (pegamos em dois) e tambores de óleo cheios até a tampa. Carretéis de cabos que serviriam de mesas de seis lugares se fossem deitados e muitos, muitos, muitos botijões de gás. Cheios de gás.

Na época, dividia meus amigos em grupos e convidava, descaradamente, alguns deles para ajudarem na mudança. Muitos negaram. Os que aceitaram se arrependeram. E os peões que ajudavam na obra e na mudança também pediam arrego sob a desculpa de estar calor demais. Sede demais. Dor demais. Era sofrido pra caralho mesmo. Um mês pesado.

Penso que, se naquela época eu fosse amigo da Mari, ela iria, ajudaria na mudança, deixaria todo mundo com cara de idiota e carregaria as coisas rindo, dizendo que “já vale um treino, hein!”.

Se bobear, nem ficaria suada. Não era crossfit, né.