Como começar a escrever parte 1

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Vez ou outra eu sou questionada sobre como escrever publicamente. E eu fico matutando sobre como escrever para uma audiência difere de escrever para si (clique aqui). São exercícios que requerem habilidades diametralmente opostas.

O texto ficou tão longo que eu dividi em duas partes: o de hoje é focado em quem quer começar a escrever mas nunca fez isso antes, ou fez pouquíssimas vezes e tem praticamente 0 habilidade; e o próximo (04/10) é focado em quem já escreve algo mas têm skills deficientes.

Escrever sobre o quê?

Eu suspeito que a primeira dúvida seja sobre o que escrever. Na verdade esta pode ser a parte mais fácil de se responder.

  • Quais são os seus assuntos de interesse?
  • Sobre o que você costuma conversar?
  • O que você gosta de aprender?
  • O que você gosta de ler?

Os assuntos a serem escritos são os mesmos que são lidos, estudados, aprendidos e conversados.

Se levarmos estas perguntas em consideração, o tema a ser desenvolvido nos textos fica evidente, mas por vezes a insegurança ou o receio de publicar impede que a pessoa reconheça seu potencial e seu esclarecimento a respeito do tema.

Se pergunte e veja que o assunto que você quer escrever aparecerá rapidamente.

Escrever como?

Representar uma abstração em formato de texto pode ser desafiador e ter um passo a passo é importante.

  • Ideia
    O primeiro passo é ter ideia sobre qual assunto será desenvolvido.
    Redija a ideia da forma que ela vem.
    O importante é capturar o máximo possível e de forma fidedigna. Deixe as edições para depois.
  • Ler
    Leia a sua primeira versão e veja se está coerente para você.
    Leia novamente, dessa vez se coloque na posição de leitor.
  • Tópicos
    Separe o desenvolvimento do seu texto em tópicos.
    Existem tópicos que você pode publicar — como os contidos neste texto — e os tópicos que você cria apenas para organizar a ordem do conteúdo.
    A ideia, quando surge, vem de modo desorganizado. O final aparece depois do começo e o meio está perdido em algum lugar do texto. E a conclusão, às vezes nem há uma. Tópicos vão te ajudar a visualizar onde estes itens deve ficar organizados.
  • Escreva
    Redija novamente, dessa vez dando o máximo de detalhes o possível.
  • Redundâncias
    Agora que o texto tem mais detalhes, também tem mais sentido. Quando você insere mais detalhes, é possível que você deixe trechos redundantes. Remova a redundância nesta etapa.
  • Trechos que não acrescentam
    Um bom texto contém apenas as informações essenciais. Talvez alguns parágrafos ou trechos não reforcem o texto. Encare esses trechos como poluição visual, desinformação e confusão ao leitor. Remova-os.
  • Estrutura
    Avalie se o texto tem estrutura: o início se conecta com o meio e o fim; o meio se conecta com o início e o fim e o fim se conecta com o início e o meio.
  • É preciso haver uma progressão no texto
    Introdução;
    Desenvolvimento;
    Conclusão.
  • Fácil compreensão
    Sempre que se escreve intenciona-se deixar uma mensagem, conclusão, reflexão, aprendizado, etc. 
    Você espera que quem leia seu texto saia com qual conclusão? Perceba se sua intenção está clara.
  • Implícito ou explícito
    Todo texto contém uma ideia, às vezes está explicita e às vezes implícita. Quando sua mensagem está implícita pode ser mais difícil transmiti-la ao leitor.
    Se necessário, modifique a estrutura do texto e deixe tudo as claras. O leitor vai gostar mais de um texto que ele tem certeza que entendeu do que de um texto que ele nem sabe ao certo sobre o que se trata.
  • Gramática
    Correções de gramática são as últimas que você deve fazer. Esse é o ajuste fino. É quando seu texto, em transmissão de ideia, já está perfeito e só falta adotar as normas técnicas.

Como eu valido os meus textos?

Talvez você tenha uma infinidade de ideias e interesses para serem tratados nos textos, mas como poderá validá-los? Como afirmar ao leitor que sua ideia é coerente e não saiu do fantástico mundo dos achismos?

Valide com sua experiência

Você vive, você tem experiências e para muitos assuntos elas bastam. A introversão, por exemplo. Uma introvertida compartilhando assuntos sobre introversão. É válido. Muita gente busca textos contendo experiências pessoais para se identificar. É magnífico quando você lê alguém e percebe que não está sozinho.

Não tenha medo de dizer que você viveu determinada experiência e que ela te deu a base para redigir o texto.

Valide com a experiência de outros

Dias atrás eu escrevi um texto sobre extrovertidos onde me pautei no relato de uma amiga que é extrovertida. A experiência dela foi o apoio para eu desenvolver o texto. E, novamente, também é válido.

Valide com os livros que você leu

Pessoas escrevendo com base nos livros que leram é mais comum do que você imagina. Livro é uma forma de validar os seus assuntos de interesse. Tem alguém que se dedicou a estudar a fundo os temas que você quer tratar.

Valide citando outros autores

Aqui você pode citar outros textos ou frases de autores favoritos — só tome muito cuidado com o contexto, às vezes você pega uma frase linda e maravilhosa que em tese valida sua ideia, mas o contexto que o autor emitiu a frase era completamente diferente do contexto que você está inserindo-a.

Conclusão

Perceba o que você costuma pensar e pesquisar, pois estes seguramente são seus assuntos de interesse, assuntos que você pode escrever a respeito. Valide seus assuntos com experiências suas e de terceiros. Cite livros que leu ou autores, o texto fica mais interessante de ser lido quando você pode aprender por meio de pessoas que estudaram a fundo o tema. Tenha uma rotina para desenvolver seus textos, um passo a passo para que você não se perca pois escrever é uma tarefa dividida em várias etapas.