E quando você perder tudo, o que vai te restar?

Imagem: Pixabay / Unsplash

Este pensamento é inspirado em dois livros que li recentemente: Man’s Search for Meaning Viktor E. Frankl e Minimalism: Live a Meaningful Life Joshua Fields Millburn & Ryan Nicodemus. O primeiro trata da história real de um psiquiatra que passou quatro anos de sua vida num campo de concentração e o segundo relata como dois amigos — os autores do livro — se tornaram adeptos do estilo de vida minimalista. E o mais importante, ambos os livros me fizeram refletir acerca da importância de um sentido para a minha vida e da futilidade por trás de posses materiais, status sociais, títulos — sejam estes universitários ou profissionais.

É muito comum vermos a seguinte conversa:
- Quem você é?
- Eu trabalho na empresa tal / eu trabalho como gerente de vendas / eu sou doutor em ciência da computação / eu sou estudante de nutrição / eu tenho uma página sobre assunto tal / eu sou filho do fulano.

Sabe aquele pequeno espaço contido nas redes sociais para escrever sobre nós? Então, dê uma olhada na BIO das pessoas (e depois passe aqui pra me contar!), ela está recheada de “eu sou estudante / eu trabalho na empresa tal / eu sou mestre em engenharia / eu sou auxiliar de vendas”.
Sobre estas descrições, o livro Man’s Search for Meaning faz a seguinte observação:

There is a scene in Arthur Miller’s play Incident at Vichy in which an upper-middle-class professional man appears before the Nazi authority that has occupied his town and shows his credentials: his university degrees, his letters of reference from prominent citizens, and so on. The Nazi asks him, “Is that everything you have?” The man nods. The Nazi throws it all in the wastebasket and tells him: “Good, now you have nothing.” The man, whose self-esteem had always depended on the respect of others, is emotionally destroyed.

Eu me pergunto: quando as mesmas pessoas que se descrevem como acima perderem seus títulos, quando os rótulos que elas têm tornarem-se insignificantes, o que irá sobrar? A que elas irão se agarrar para sentirem-se valorizadas e importantes?

Usar o material para impor algum valor, respeito ou status é perigoso, você corre o risco de perder o material e juntamente o seu valor.

Who you are?
The material possessions you accumulate are not going to make you happy. We all know this, and yet many people search for life’s meaning through accumulating more possessions.
Minimalism: Live a Meaningful Life.

Eu arrisco dizer que todos nós já fomos pegos ambicionando “ser alguém na vida” por meio de fatores externos. Se apoiar em fatores externos tem alguns problemas:
- o externo não está sob o seu controle;
- quando você finalmente obtiver o status desejado, ele pode ter se tornado obsoleto;
- talvez você não se sinta como imaginava se sentir ao obter o objeto/status desejado (frustração);
- e se você estiver fazendo algo pensando nos elogios ou reconhecimento de terceiros, saiba que é incerto que o outro reconheça e valorize o que você possui exatamente da forma que você espera ser reconhecido e/ou valorizado.

Qual a finalidade deste post?
Este post tem por objetivo te fazer refletir sobre quem você é e quem você deseja se tornar. Você é “um estudante universitário” ou “uma pessoa procurando conhecer e entender melhor o mundo em que vive”?; você é um “filósofo renomado que leciona na universidade tal” ou “um eterno curioso e assíduo questionador”?

Compreende que no primeiro caso, você pode perder tudo e não ser nada, não ser ninguém; enquanto no segundo caso, ninguém pode te tirar aquilo que você é. Você pode ser expulso da faculdade, você pode abandonar a faculdade por vontade própria e ainda assim você será uma pessoa procurando conhecer e entender melhor o mundo em que vive; você pode ser demitido da universidade que leciona, ou pior, a universidade pode falir e você ficar sem emprego, e mesmo assim você será um eterno curioso e assíduo questionador.

Seja e ambicione ser alguém que adversidade alguma poderá retirar de você.