SOBRE SE JOGAR

Não sei se era terça-feira. Não me lembro. E se eu tentasse lembrar, soaria tão divergente quanto esta musica da “Clarice’’
Mas definitivamente não era um encontro comum. Soa ridículo, mas eu segui os sinais. Abarba era ruiva (eu ri). Segui o numero 11… e “voilá”… eis que a vida me coloca á frente dele.
Haviam tantas possibilidades falhas, e obviamente fomos a que eu menos esperava. Recuo!
A primeira vez que o vi, era tanto cansaço e frustração, que aquela alma carregava consigo, que eu provavelmente lhe daria uns 45, 60 anos… ou mais. Aquela inquietude incomoda dele me afetou (todos os dias, durante um mês). Mas ao final do primeiro “encontro” (que nem era um encontro [Por Favor!!!]), ele sorriu. E então eu já enxergava ali, volatilmente um rapaz (menino) de 20 e poucos anos… E confesso, me encantei pelos dentes que ele mau me mostrou.
Foi complexo. Eu que nunca acolhi o clichê “loiro de olhos azuis” (olhinhos virando), mergulhei em seus olhos Oceânicos…que eram tão rasos, que eu mau percebi quando machuquei o meu queixo, tentando pular nele de cabeça.
Não era intencional, era Karmico (rindo de nervoso). Eu tava transbordando amor, de tantas formas, que FODA-SE!!! Dei o meu melhor mesmo. Porque genuinamente eu era só entrega, naquele momento.
“ Somos carne pele e osso. Sentimento ate o caroço. Carregando nosso amor” _ Sinara — Antes Que Eu Morra
Eu me declarei, escancararei o meu sentir.
Ele declaradamente recuou. Se afastou…Fim.
Foram tantas as crises entre “eu te amo e (não) te quero”, que ele foi certeiro no mau intento. E a semente do “eu te odeio”, se instaurou em mim…progressivamente.
· Osho diz que “a semente do amor é o ódio”.
Acho que a tentativa de encubar, suprimir, encapsular o amor, sim, é o ódio.
O que não deixa de ser amor, mesmo que mau resolvido.
… Mas eu sou fluida. Acolho meus processos…
Logo eu que sou solo fértil, acolhi a semente e a fomentei. Logo era um belo fruto do amor, como sempre fora. Floresceu em vida plena como antes. Mas sem dono desta vez.
Paradoxalmente eu estava, honestamente, na beiradinha do prédio, louca para me arriscar a voar, quando ele chegou foi como um vento convidativo “Se joga”. E eu me joguei. Ele NÃO! Mas …FODA-SE…eu que já sofri demais, hoje desfruto a queda.
E nesta divergência…em plena queda livre, me deparei com outra alma livre, se jogando também… “Prazer, meu nome é fulano”. Eu e fulano, seguimos desfrutando a queda livre, lado a lado, brincando de voar, antes que o chão nos atinja e este carnaval todo tenha seu fim. ❤
Já o “olhos azuis e barba ruiva” não sei. Deve seguir no parapeito do prédio. Observando temeroso a vida. Sem riscos (voos) seguir…
Como já dizia @Carpinejar
“Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem.”
“Ele só sentia o que queria
Ela só sentia
Ele só
Ela.” _ D.N

Da euforia, ao choro livre. Todo amor, mais cedo ou mais tarde, se torna silêncio dentro de nós. Amém
