Django Girls: um evento além da tecnologia

Fiz um relato falando sobre algumas das sensações que tomaram conta de mim durante o Django Girls Porto Alegre 2017. Naquele momento estava em êxtase com as histórias e as pessoas que tive o privilégio de conhecer.

A alegria não cabia em mim!

Algumas pessoas me procuraram para entender do que se tratava o evento. Isso me deixou bem feliz! Principalmente porque boa parte das perguntas veio de gente que não está envolvida com a causa (ou que não está envolvida em causa alguma).

Sei que pode parecer um tanto utópico, mas enxergo nisso uma oportunidade de conscientizar e expandir esse mundo que habita meu coração de forma tão intensa.

Sigo com dificuldade de encontrar as palavras corretas para descrever tudo o que eu vivi. O fim de semana ainda está pipocando loucamente dentro de mim.

Pra ser honesta, a gente nunca sai a mesma pessoa depois que passa por uma experiência tão repleta de significado.

Estou tomando um tempo pra me confrontar com esse novo eu.


Quero dizer pra você, que caiu aqui de paraquedas, que o Django Girls não é só um evento de tecnologia voltado para mulheres, é muito mais que isso.


Vou tentar traduzir em palavras um pouco do que foi a minha experiência como coach, como ouvinte, como observadora e como mulher.

Mas eu não acredito ser capaz de te dar a real dimensão do que é sentir isso na pele.

O evento acontece em uma noite e um dia. E a ideia é sim de iniciar mulheres no desenvolvimento de software. É fazê-las escrever, quem sabe, suas primeiras linhas de código.

Provavelmente, isso foi o que algumas das 105 participantes experimentaram. Mas, na minha opinião, aprender a programar é uma das menores coisas que acontecem ali.

Tentamos criar um ambiente seguro, onde as mulheres se sintam acolhidas e capazes de arriscar. Onde se permitam conhecer uma área dominada por homens brancos, cisgêneros, heterossexuais, de classe media/alta e que, muitas vezes, não só duvidam da nossa capacidade, como também fazem piada da condição da mulher na sociedade.

Ao longo do evento compartilhamos experiências e refletimos sobre elas.

Tomamos consciência das dificuldades umas das outras. É um exercício de empatia cujo valor é imensurável.

Aceitamos que não somos perfeitas e que não há nada de errado com isso.

Nos permitimos tentar — o que é absolutamente libertador.

E fazemos tudo isso programando.


Participar do evento me colocou em contato com meu lado humano na sua forma mais pura.

Me permitiu ensinar e aprender horrores no processo.

Fez com que eu compartilhasse algumas das minhas dores e conhecesse a história de outras mulheres. Histórias estas que reforçaram o quanto eu sou privilegiada, apesar de todo o privilégio que eu não tive.

Tudo isso aumentou a minha vontade de transformar o universo ao meu redor.


Participar do Django Girls é incentivar outras mulheres a correr atrás de seus sonhos.

É compreender que não precisamos competir umas com as outras e que juntas somos mais fortes.

É ver a alegria nos olhos de alguém que acaba de dar o primeiro passo em uma nova direção.

É uma jornada coletiva, mas também absolutamente pessoal.

É sobre empoderamento feminino.

É se entregar, compartilhar e aprender pra caralho.


Ninguém sai do evento dominando tudo. Saímos, sim, mais fortes. Com a autoconfiança e a coragem lá em cima.

Saímos revigoradas. Certas de que um mundo justo é possível.

Saímos prontas para mostrar a outras mulheres que elas podem e merecem fazer o que tiverem vontade.

Lugar de mulher é onde ela quiser.

E não há ninguém que nos possa negar isso.