“É pau, é pedra, é o fim do caminho. É um resto de toco, é um pouco sozinho”

A cada dia descubro um novo lugar e assim vou me apaixonando por esta cidade ❤

Tom Jobim e sua genial forma de escrever casou tão bem com a voz única de Elis Regina, que é impossível não se emocionar toda vez que se escuta “Águas de Março”. É toda a vida acontecendo no final do verão com “A promessa de vida no teu coração”, que a vontade de viver esse momento torna-se irresistível.

E são as promessas de vida que nos dão coragem na hora que nos sentimos mais sozinhos. Quando estava saindo de casa para ir ao aeroporto, minha mãe entregou-me uma carta. Esse gesto já me fez chorar, pois ela não costuma expressar seus sentimentos dessa forma. Peguei aquele pedaço de papel como se fosse o maior tesouro que estava levando em minhas malas e guardei, pois queria ler na hora certa.

No terceiro dia que estava aqui em San Diego, bateu aquele aperto no peito, era uma tristeza de saudade. Sei que parece precoce, mas quando tudo e todos são diferentes daquilo que você viveu diariamente durante 27 anos de sua vida, em alguns momentos bate a dúvida: “O que estou fazendo aqui?”.

Foi então que li e reli a carta dela. A cada parágrafo uma lágrima, uma saudade e um conforto. Tenho certeza que minha mãe foi a pessoa que mais sofreu com minha mudança, mas desde o início ela apoiou, mesmo com o coração despedaçado.

Para me sentir ainda mais abraçada, reli a carta que minha melhor amiga Luciana escreveu antes da viagem. Foi nesse momento, depois do mais puro amor expresso em palavras, que tudo voltou a fazer sentido e vi que não estava mais sozinha.

No fim, entendi que todo o resto que trouxe na bagagem não tinha muita importância. Roupas e sapatos podem ser comprados novamente, aqui é tudo muito bom e barato. Mas cartas e objetos pessoais, aqueles que possuem algum significado sentimental para você, são os itens que realmente fazem a diferença quando se está longe de casa.

Muitos amigos disseram-me que a distância é só um número. Essa é a mais pura verdade. Todos os dias falo com meus pais e amigos por Skype, e-mail, Whatsapp, Facebook, Twitter e Instagram. É como se todos estivessem aqui perto, mesmo estando longe. Meu pai tornou-se entusiasta digital desde que falei sobre a mudança. Hoje ele passa metade do dia no celular falando comigo e com outros parentes que moram longe, e está feliz da vida por descobrir a cada instante uma novidade (não preciso nem dizer que cada mensagem vem com uma foto em anexo e um emoticon ❤).

Um dos meus maiores medos da mudança era que as pessoas fossem me esquecer, mas descobri que sempre estamos perto de quem amamos. Além disso, essa mudança está abrindo novas possibilidades para meus pais e amigos, que podem vir me visitar. Sem contar que meus pais estão aprendendo mil funcionalidades tecnológicas depois dos 50 anos, comprovando que não existe idade para conhecer coisas novas e surpreender.

Toda mudança, quando é pra melhor, ensina coisas novas para as pessoas que nos rodeiam. Ou seja, a sua mudança pode fazer o bem para muitas pessoas. Não é só você que cresce, é todo o jardim que está a sua volta.

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