
Sempre existe alguém mais sensível, essas pessoas que choram. Não acho que chorar seja fraqueza, eu acho que quem chora muito, talvez tenha mais água no corpo, por isso é difícil de conter.
Digo isso em própria defesa, já que sou uma chorona de marca maior. Eu choro com música, com comercial, com filme, e choro o dobro com o coração partido. Numa dessas, me iludi acreditando que estaria protegida pela tela do notebook, me posicionei de forma estratégica pra que pudesse derramar as lágrimas como conta gotas enquanto enviava emails. Era só pra aliviar.
O problema do coração partido é que ele te cutuca de dentro pra fora o tempo todo. Ele exige atenção. Ele precisa que você olhe pra dentro, e diga, “eu sei que tá doendo, caramba!”
Mas é sempre nessas horas em que você acha que ninguém vai aparecer, que aparece alguém. E não tô falando de forma romântica, tô falando da vida real.
E aconteceu comigo. O big boss surgiu. Na hora tentei segurar o choro e forjar um riso, o que resultou num efeito rebote, os conta gotas viraram a própria Foz do Iguaçu. No rosto dele eu via um pedido de socorro: Será que aconteceu alguma coisa? O que eu faço? Será que dou um abraço? Será que ela brigou com alguém?
E aí a pergunta:
O que aconteceu?
E a mentira deslavada:
Eu acabei de receber um vídeo muito emocionante aqui, me desculpa. Me desculpa mesmo.
E a outra mentira:
Ah, esses vídeos. São muito bons, tem hora que é difícil de segurar.
E o desespero:
Me desculpa. Nossa
E a solidariedade:
Se você continuar me pedindo desculpa aí sim eu vou ficar bravo. Para de pedir desculpa. Você também é um ser humano.
E eu fiquei pensando nisso, às vezes as pessoas não sabem lidar. O big boss, que é um cara gente finíssima, e só chamo de big boss porque não queria colocar o nome aqui, claramente se viu numa situação de EITA, e claramente aceitou minha mentira sabendo que era uma mentira, e esse nosso acordo silencioso de mentir e fingir que acredita foi mais eficaz que um abraço.
Eu sei que ele sabe o quanto eu estava triste, e ele sabe que eu sei. E não se fala mais nisso.
Hoje ele perguntou se estava tudo bem, sem nenhum vestígio de lágrimas nos olhos, eu disse que sim. Ele sabe que é verdade e eu sei que ele sabe também.
