Tenho um livro escrito na minha cabeça. A vida vai acontecendo e eu vou escrevendo frases ao vento. Pensando pensamentos que desembocam em parágrafos sobre qualquer coisa. Sobre a poesia de fazer um café no meio da tarde, enquanto observa o canto dos passarinhos que só cantam naquele momento do dia. Sobre o jeito como o sol repousa no sofá a certa hora e o aconchego que isso me traz.

Torço para que no dia em que me sentar para escrevê-las, elas venham com facilidade, como vieram para Adélia. Vou colecionando as frases em algum arquivo de memórias. Frases que muitas vezes se fazem das próprias memórias.

Quando eu era criança, escrevia no ar. Acho que já contei isso. Eu falava e ia escrevendo com o dedo indicador. Se errava, apagava e escrevia de novo. O mundo à minha volta era um caderno imaginário.

Pelo menos esses trechos do livro estão escritos em algum lugar.

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