Metallica imperdoável

Minha relação com o Metallica começou em uma tarde chuvosa, durante um trabalho de colégio em grupo, marcado na casa de um coleguinha que tinha TV a cabo em casa. Na TV ao fundo, um clipe que me chamou a atenção mais pela estética do que pela sonoridade, já que eu ainda não havia amadurecido musicalmente na 7ª série. O clipe era de Until It Sleeps.

Como era inevitável no período pré-internet de entretenimento como a conhecemos, a TV a cabo chegou em casa. Fui exposto a todos os Disk MTV e Top 20 aos domingos. Os antigos também apareciam na programação, então fui me interessando pela discografia inteira do Metallica.

Não sou o purista que só considera a banda até o Ride The Lightning, ou até o …And Justice For All, inclusive tendo minha preferência moldada pela sonoridade de Load e Reload, os álbuns mais odiados pelos fãs mais dedicados, na época!

Mesmo considerando Master of Puppets o melhor álbum deles e tendo sobrevivido à catástrofe St. Anger, minha favorita é The Unforgiven, que completou 25 anos neste último dia 19/11/2016.

A característica mais comum da preferência musical é a identificação com seu contexto. Levando em conta minha idade na época das “descobertas” de Unforgiven I e II, em plena adolescência e me interessando pela língua inglesa, minha atenção foi totalmente atraída. Em momentos diferentes da vida, muito perto ou muito longe entre eles, as músicas “falaram” comigo em todas elas.

The Unforgiven, ainda com todas as características mais cruas da banda, conta a história de um garoto sendo moldado por um mundo guiado por amargura. A atitude adolescente rebelde de culpar o mundo e se isolar dele.

Mas Unforgiven não é uma música única. Ela se desenvolveu numa trilogia, depois do lançamento de Death Magnetic, em 2008. Pouco tocadas, nem mesmo foram consideradas para o disco S&M, com a orquestra de San Francisco. Gosto de pensar que eles já tinham a terceira escrita e planejavam tocar as três em uma segunda edição orquestrada.

The Unforgiven II veio mostrar o amadurecimento do garoto, que confia a chave do seu isolamento a alguém, mas acaba culpando esta companhia pela amargura que ele próprio aprendeu com o mundo, se isolando mais uma vez.
The Unforgiven III mostra a realização do garoto, já adulto, assumindo a responsabilidade. “Como posso culpar você, se não consigo perdoar a mim mesmo?”.

Foi um fechamento melancólico, épico e incrível dessa trilogia musical, que forma a minha “música favorita” de todas, da vida, do universo e tudo mais.

…aí eles lançam o novo disco com Halo On Fire.

Hello, darkness…. say goodbye!

Uma herdeira espiritual à altura.