…ainda!

Eu tinha 18 anos, era o meu primeiro ano na faculdade, eu me achava muito esperto, e achava que iria poder mudar o mundo. Eu só tinha o futuro na minha frente, e tinha a certeza que o futuro só me traria muitas coisas boas - ou melhor - eu iria forçar o futuro a trazer coisas boas pra mim.

Eu pensei que minhas amizades durariam para sempre, que o meu amor - único e verdadeiro - seria eterno, que meus estudos me levariam a ter mais sabedoria do que eu achava que tinha. Eu pensei que me tornaria "O" poeta de minha geração, e que tocaria todos com o meu canto, e as minhas canções, eu pensei que era bom em cantar e que era o único que sentia o mundo de um jeito mais profundo.

Bem... não foi exatamente assim. Eu aprendi coisas interessantes na faculdade, não o suficiente, e não o necessário. Tive vários "Amores Eternos" no decorrer da minha vida. E, pelo menos, algumas das minhas amizades ainda duram até hoje. Aprendi que o futuro não existe e ele não te trás coisas boas a não ser que você faça HOJE, plante HOJE, seja HOJE, exista HOJE.

O meu canto se afogou na decepção incompreensível e amarga da vida adulta, e minhas canções viraram lamentos de um ex-músico frustrado. E os sonhos daquele "Eu" poeta? Bem, esse poeta encontrou outra forma de expressão, mais silenciosa inclusive.

E o pior de tudo, o que mais me arranca o sono até hoje, é que eu não fui capaz de mudar o mundo...

...ainda!

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