
Chocolate: barras ou ovos?
Eu não sou muito fã de ovos de Páscoa. Aquela coisa de abrir a embalagem, pegar um tanto, comer e fechar a embalagem, aquela coisa chata feita de papel barulhento e uma fitinha ridícula me enche o saco. Há alguns anos resolvi inovar. Comecei a abrir os meus ovos de Páscoa, quebrá-los inteiros e guardar os pedaços em potes de plástico com tampa. Muito mais fácil fechar a tampa do pote do que ficar dando nozinho em fitinha. Sou preguiçoso mesmo.
Mas parece que o preço dos ovos têm incomodado muitas pessoas, tendo em vista a quantidade de posts no Facebook sugerindo um boicote generalizado e a troca dos ovos por barras de chocolate. Mas eles não são a mesma coisa.
O produto em si pode até ser, se levarmos em conta que só a embalagem e o formato mudam. Mas o contexto é totalmente diferente. O ovo de chocolate é um símbolo de uma época do ano, assim como a árvore de Natal. É diferente dos outros chocolates vendidos durante o resto do ano. Mal comparando, seria algo como comprar cerveja na balada e no mercado. Não há uma concorrência direta, já que a balada vende cerveja em um contexto e o mercado em outro. Embora o consumidor possa escolher onde vai comprar sua cerveja, as duas vendas não são equivalentes. Na Páscoa, a coisa é igual.
Não acho ruim que as pessoas decidam entre barras de chocolate no lugar dos ovos, temos o direito de escolher. Mas a magia do momento se perde quando optamos por algo que está disponível em qualquer época. Por isso acho que a comparação entre os dois (ovos de chocolate e barras de chocolate) não procede.
Cabe a cada um escolher o que quer levar pra casa, sem problemas. Só é necessário saber que levar barras em vez de ovos, na Páscoa, extrai toda a simbologia do momento. Mas se você, assim como eu, não se preocupa com a data em si, seu contexto e simbologia, e só quer comer chocolate, as barras são mais do que suficientes. Mas a escolha é sua.