A Turma do Coco

Toninho Taturana chegou atrasado para a comemoração de 25 anos da Turma do Coco, na casa dos pais de Pedrinho Green. Mas não foi isso que incomodou os outros integrantes da trupe.

- Aê, porra é essa? — Disse Green, apontando a roupa do amigo com o mindinho, pois a mão estava ocupada segurando um latão de cerveja.

- O quê?

- Pra que essa estica toda, maluco?

- Isso aqui? Ué, camiseta, jeans e tênis.

- Tu tá de sacanagem, né? Tá vendo alguém aqui de camiseta?

- Tô não.

- De jeans?

- Tô não.

- E tênis, tem um de nós usando tênis?

- Tem não.

- Então, como é que você explica isso? O uniforme da Turma do Coco é chinelo e bermudão, uma tradição de mais de 25 anos. Camiseta free, não lembra?

- Resolvi dar um tapa no visu.

Marcinho Supino se levantou, exaltado.

- Tu vai é levar um tapa da fuça, doido, pra voltar ao normal. Nada muda na turma, é nosso dilema.

- Calma, Supino. — Pedrinho Green segurou o amigo.

- Me deixa dar só dois petelecos nele, pro céleblo voltar pro lugar.

- Aê, Supino, violência não leva a nada. Mas o que eu estou dizendo? É claro que leva. Mas não antes de escutar o que ele tem pra dizer. Depois, dependendo, tá liberado pra dar uma coça. Vai se explicando aí, Tatu.

Taturana pigarreou.

- Casei.

- Tu fez o quê? — Gritou Supino, apertando o pescoço do amigo.

- Aei…

- Diz aí, maluco, desembucha.

- Aei…

- Supino, doidêra, alivia um pouquinho o mata leão, não tá dando pra escutar o que ele tá dizendo. — Amenizou Pedrinho Green.

- Casei, pô. Qual o problema?

- O pobrema é que tá tudo errado. — Afirmou Supino, mantendo uma das mãos no pescoço do colega. Aê, tem alguém da turma casado?

- Tem não.

- Aê, alguém usa aliança aqui?

- Usa não.

- Aê, então por que entrou nessa?

- Por amor. Conheci uma menina que…

Antes que terminasse a frase, já estava no chão. Supino aplicava uma chave de perna e teria esmagado Taturana, não fosse a intervenção de Andrezinho Mr. Brain.

- Proponho um acordo. De um lado, temos Toninho Taturana, o terror das taradas da Zona Sul, que afirma ter casado.

- Não afirmo, casei mesmo. — Disse, tirando o pé do Supino da boca.

- Fica quieto, pra não se complicar mais. Como dizia, de um lado, temos o Taturana. De outro, o resto da Turma do Coco. E, no meio, um pequeno desentendimento. Mas acontece que comemoramos 25 anos hoje. É uma data especial. Proponho que esqueçamos isso (Andrezinho havia terminado o 2o grau e sabia até conjugar os verbos, daí o apelido Mr. Brain) e comemoremos como nos velhos tempos.

- Enchendo a cara! — Gritou Supino.

- Entornando o pote! — Festejou Green.

- Posso convidar minha esposa? — Perguntou Taturana.

Nesse momento, Supino e Green voaram em cima do outro. Mr Brain ficou de fora, apenas observando e apontando aos colegas uns pontos doloridos que havia aprendido no curso de acupuntura.

Esse texto faz parte do projeto Cartas da Guanabara,
com crônicas semanais de um brasiliense vivendo no Rio de Janeiro.

Gostou? Então clique no botão Recommend aí embaixo.
Fazendo isso, você ajuda esse post a ser encontrado por mais pessoas.

Pra acompanhar minhas publicações por aqui,
é só clicar ali embaixo no botão
Follow.