Medo de errar: medo de morrer

Em “Magnolia”, de Paul Thomas Anderson: Donnie Smith (William H. Macy) vive na sombra de quem ele deveria ser.

As vezes meus pulsões de ansiedade vinham por um profundo medo de morrer. As vezes eles vinham por que eu talvez – sempre talvez – não iria suceder em ser quem eu deveria ser, fazer o que eu deveria fazer, etc. Seria inocente não achar que, em mim, esses motivos estavam interligados.

Cresci na igreja. E lá – geralmente – a gente aprende (nem sempre através de palavras, inclusive as vezes o discurso é diametralmente oposto à ação) que a gente, pra viver pra sempre, precisa ser quem a gente deve ser. Falhar na missão de se aperfeiçoar seria, então, morrer.

Foi quando percebi que errar era possível que amenizei as dores do medo do fim. Notei que os erros são a garantia de que sou de verdade. Não foi pra minha surpresa que, de repente, me percebi mais vivo. Quando a ansiedade vinha, o medo de errar, repetia mentalmente “eu não vou morrer”, “não vou”… e a sombra ia embora.

Talvez a ansiedade seja isso: uma sombra de nosso eu ideal, paralizante, que nos impede de tentar – e ironicamente, arriscar chegar mais perto de quem queremos ser. Que a gente possa lançar uma luz sobre ela, e viver.


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