O meu ser mulher

“Mulher é decidida. Mulher sabe o que quer.” Essas frases ditas na boca de muitas mulheres pessoalmente ou em legenda em suas fotos em redes sociais são, para mim, o cúmulo da hipocrisia.

Não conheço pessoas decididas pelo gênero, mas pelo caráter e personalidade. Mulheres prepotentes e arrogantes que acreditam que essa sua prepotência é, na verdade, amor próprio ou autoestima elevada.

Eu sou uma mulher, indecisa, esquisita às vezes. Eu não sei sempre o que realmente quero e sofro com isso e, inclusive, fiz outros sofrerem com isso.

Na questão de relacionamentos interpessoais, especificamente namoro, já fui do tipo de pessoa que não quer assumir mas também não quer perder. Imatura. Não sei, mas parece que não fui a única mulher a ser assim: gosta mas não gosta. Até perder.

Se arrepender e chorar.

Chorar muito. Remorso. Com a dor da rejeição e abandono.

Encarando como traição aquilo que não foi bem assim.

Talvez só eu tenha sido paranoica assim:

Ter a mania de evitar aquilo que eu realmente quero. Uma espécie de medo. Medo dos meus sonhos.

Muitas mulheres são assim, poucas são as que melhoram.

Daí é importante um cara que supra emocionalmente a mulher. E vice-versa, afinal relacionamento é uma troca. Se ela não se sentir segura emocionalmente estará receosa. E então surgem as perguntas (afinal porque parariam de surgir perguntas quando o assunto é o mundo feminino? Haha) O que seria “emocionalmente segura?”

Com certeza não é dar tudo na mão, como se a mulher fosse manca, ficar no pé ou ser meloso. É ser o cara que ama sem dominar, que a entende, que a ouve, que a faz se sentir cada vez mais mulher, que a deixa livre se quiser voar, mas se quiser ficar vai ter diversão, abraço, liberdade e respeito.

Bom, há mulheres decididas e definitivamente não era o meu caso. Eu era o tipo de mulher que acreditava que, se tratando de amor, a sorte, destino, céus, cosmos ou seja lá o que for, colocaria tudo no devido tempo no meu caminho. E tudo bem acreditar assim. Porém cometi um erro. Quando finalmente apareceu alguém no meu caminho a minha própria forma de acreditar virou-se contra mim com dúvidas e me trouxe grande conflito interno e ansiedade. Não consegui ter discernimento necessário para saber que amar é uma decisão, uma escolha que se faz ativamente e não passivamente.

Mesmo que eu gostasse dele, eu tinha criado um medo e eu esperava que esse medo passasse de forma mágica. Porém era um medo que eu só superaria com a escolha consciente de amá-lo. Um detalhe: eu tinha dezenove anos e nunca havia me relacionado antes.

Esse medo gerou indecisão e esta gerou a frustração por ambas as partes. “ A esperança demorada enfraquece o coração…” Diz o provérbio bíblico 13.12. Eu o perdi. Sem motivos. Fiquei angustiada e praticamente perdi a capacidade de amar de novo. Qual o motivo? Eu e o meu medo bobo. Qual a minha motivação interna para esse desastre? Não sei. Talvez ser mulher seja a coisa mais complicada do mundo e ainda há mulheres que reclamam — por cultura — dos homens, exigindo-os a suportarem suas manias, sua TPM. Moça…nem eu me suporto às vezes, porquê um homem suportaria? Autoestima e amor próprio tem muito mais a ver com equilíbrio do que com qualquer outra coisa.

É verdade que mulheres tem maior predisposição à angústias e transtornos emocionais, diariamente. O que fazer?

Com todo esse conflito descobri muito sobre mim, por isso estou a escrever esse relato, autoconhecimento é importante. Pude conceituar várias palavras pelas minhas experiências e que faziam sentido em meu contexto de vida, como:

FRACASSO

O sentimento de fracasso nos condena, faz-nos sentir inferiores em relação às outras pessoas e que nada pode compensar o erro. Devemos evitar tais pensamentos com a renovação da nossa mente. Simplesmente não pensar nisso. A vontade de Deus não é a de fracassarmos, é a de sermos mais do que vencedores.

CULPA

Ao admitir culpa, podemos sentir raiva de nós mesmos. O ponto positivo da culpa é que ela deve produzir ARREPENDIMENTO. Choramos de remorso por falharmos, mas devemos perdoar a nós mesmos.

INVEJA

Quando lutamos contra nosso fracasso, podemos ficar constrangidos quando nos comparamos a alguém que aparentemente faz tudo certo e nunca fracassou na vida.

DESCONTENTAMENTO E MURMURAÇÃO

O grande mal do século é o descontentamento que gera ingratidão e infelicidade. O descontentamento fabrica sacos sem fundos, impossíveis de serem cheios e plenos. O descontentamento faz você pensar que ser contente com o que é e com o que tem é se menosprezar como pessoa, é desvalorizar o fato de que você merece mais.

Enfim, pode parecer uma vida bastante melancólica, mas é apenas um momento dela. Ainda estou me descobrindo e não vou arriscar dizer o que é felicidade, antes de poder conceituá-la com veracidade. Não vou dizer “hoje ninguém vai estragar meu dia” porque sou madura para saber que a melancolia tem o seu valor. O que acredito é que as mulheres são mais melancólicas que os homens e a melancolia é uma personalidade complexa.

Daniele Simão

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