Dani Slaga
Nov 7 · 1 min read

[automático]

cheguei no automático nas linhas turvas e obscuras dessa rua esburacada. caminhei quilômetros adiante para o lado oposto, mas ainda não me refiz.

se eu contasse que a minha essência está se esgotando, você correria para se desculpar? ou julgaria sorte o fim? eu me trouxe até aqui e não encontrei a cura, a doença me desfez.

quando olhei para aquele espelho pendurado no meio da estrada que encruzilhava adiante, eu o quebrei com a força do medo. medo de encarar a minha falta de luz, falta daquela luz brilhosa e ardente que foi colocada numa bolinha de cristal e guardada em alguma estante da cidade.

eu me encontrei sem ti e me perdi em você. hoje sou uma constante metamorfose tocada e amassada. uma única bolinha de papel deixada no canto da sala. nada desfaz essas marcas, não importa o quanto eu tente.

para cada detalhe que visualizo, há um motivo e meus olhos encharcam e desabo derretida no chão. os dias não acabam e somos tão jovens ainda. eu não bebo, não fumo, mal como, mal vivo.

onde deixou a vida que extinguiu de mim para que eu possa buscá-la e sobreviver à tempestade que está devastando minhas veias pequenas e encolhidas?

    Dani Slaga

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    poeta em queda que aceita qualquer dor do mundo se essa me render boas poesias

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