[automático]
cheguei no automático nas linhas turvas e obscuras dessa rua esburacada. caminhei quilômetros adiante para o lado oposto, mas ainda não me refiz.
se eu contasse que a minha essência está se esgotando, você correria para se desculpar? ou julgaria sorte o fim? eu me trouxe até aqui e não encontrei a cura, a doença me desfez.
quando olhei para aquele espelho pendurado no meio da estrada que encruzilhava adiante, eu o quebrei com a força do medo. medo de encarar a minha falta de luz, falta daquela luz brilhosa e ardente que foi colocada numa bolinha de cristal e guardada em alguma estante da cidade.
eu me encontrei sem ti e me perdi em você. hoje sou uma constante metamorfose tocada e amassada. uma única bolinha de papel deixada no canto da sala. nada desfaz essas marcas, não importa o quanto eu tente.
para cada detalhe que visualizo, há um motivo e meus olhos encharcam e desabo derretida no chão. os dias não acabam e somos tão jovens ainda. eu não bebo, não fumo, mal como, mal vivo.
onde deixou a vida que extinguiu de mim para que eu possa buscá-la e sobreviver à tempestade que está devastando minhas veias pequenas e encolhidas?
