APENAS OS SONHOS…

FOTO DANIEL PACIFICO

Bisneto da Bahia,
neto de Minas,
cafuzo eu encarnado,
na selva de pedra,
do sotaque cantado.

Terra de gente brava, complicada,
alienada, que briga na fila, no transito,
no estádio. Briga por 20 centavos,
briga pela coxinha, pela mortadela,
gente que não se entende.

Terra de gente pacífica, resignada,
que luta, se esforça, acredita.
Pelas cinzas artérias,
corre atrás…
do ônibus, dos sonhos, do amor.

Mas, “Não existe amor em SP”,
e nem por isso falta poesia,
em versos escritos nos bancos caio,
muros e viadutos. Poesia dos dias cinzas,
que conjuga o verbo esperança.

Esperança insustentável na chuva, pois,
quando chove, fode, São Paulo vira sopa.
Quando isso acontece, enquanto a água desce,
a solidão reflete na tela,
os olhos que percorre a internet.

Tal como o Santo que batiza teu nome,
São Paulo, torna seus filhos imortais,
pois nasce aqui somente aqueles,
que não são conduzidos, e sim,
quem conduz.

Logo…
apenas os sonhos me conduz.

São Paulo 463

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