Por que viajar deve ser a experiência máxima de qualquer pessoa?

A inigualável sensação de embarcar numa viagem começa muito antes de pisar em solo desconhecido


Poucas experiências na vida são mais incríveis do que viajar. E não estou falando simplesmente da chance de conhecer pessoas novas, lugares diferentes, pontos turísticos famosos ou aproveitar tudo isso só porque você está de férias e precisava muito correr para bem longe de onde vive.

A incrível experiência começa ainda antes de entrar em um carro ou embarcar num avião para outro estado, país ou continente. A adrenalina pré-viagem. Quem verdadeiramente reclama que precisa arrumar a mala para viajar? Só se for algo comum na sua vida, algo rotineiro. O fato de precisar juntar algumas roupas e colocar na mochila já pressupõe que você passará pelo menos alguns dias em um lugar totalmente diferente, sairá da rotina que te prende a maior parte do ano. E isso por si só já é algo incrível.

Depois vem o momento quando estamos realmente viajando. Estou falando exatamente do ato de se deslocar de um ponto ao outro. Pensamos numa viagem de avião: a maravilha deste instante é saber que não podemos fazer absolutamente que não diz respeito ao seus pensamentos. É um momento de total reflexão, bem distante de qualquer ação racional e mecânica, igual a essa que fazemos o tempo todo, todos os dias.

É como se a vida por algumas horas fosse interrompida. Você está sendo conduzido para o seu destino e a única coisa que te resta é curtir aquele momento só seu, aproveitar para ler um livro, assistir um filme, dormir ou esperar. Nada mais. Em quais outras experiências das nossas vidas temos essa oportunidade tão rica, de parar e respirar? Dar aquele suspiro, com a certeza de que qualquer urgência obrigatoriamente vai ficar para depois.

É disso que se trata uma viagem. Sair do automático, assumir o direcionamento das suas decisões. Não por acaso, muitos estudiosos afirmam que viajar nos torna mais criativo. Faz todo o sentido! E eu acrescentaria que viajar nos torna mais tolerante com o que é diferente. Quanto mais lugares conhecemos, mais percebemos o quanto o ser humano é capaz de se inventar. E que os nossos valores, princípios e pensamentos não são necessariamente os únicos e muito menos os mais corretos. Viajar é uma chance rara de conhecer e colecionar pontos de vista.

A experiência é ainda mais profunda quando, em um país estrangeiro, vivemos como um cidadão local. Para se sentir incluído, inevitavelmente você se desapegará de qualquer vício ou preconceito. Deixará suas críticas em casa, aceitará os costumes locais e automaticamente aprenderá que é possível que outra pessoa pense diferente de você. E que tudo bem!

Viajar é ver com os próprios olhos e ter a certeza de que o mundo pode ser pequeno e gigante ao mesmo tempo. É muito mais do que estar fora da sua zona de conforto. É ter a real consciência, tão distante de casa, de que você precisa superar os seus próprios limites internos se quiser algo, sem que exista outra saída. Você até esquece os próprios medos. Descobre habilidades que nem imaginava que poderia ter.

Se o ser humano viaja há tantos anos, deve ser porque nossa missão sempre foi e sempre será desbravar e conhecer tudo o que for possível nessa vida tão passageira. Você realmente acredita que viver 70, 80 anos é suficiente? Tente viajar mais. O seu passaporte não te diz quem você é, apenas por qual país ele foi emitido.

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