PRAÇA TUBAL VILELA: A METADE DE QUALQUER PONTO A QUALQUER PONTO DA CIDADE

Pela tarde, à sombra de diversas árvores já bem velhas, ou à vista de um sol impetuoso do cerrado, vem o cheiro de pequi, ou de qualquer outra fruta sem procedência alguma, entupindo os carrinhos dos ambulantes, e os pulmões dos passantes, que inevitavelmente marcam ponto na praça.

Praça Tubal Vilela — Esquina entre Av. Afonso Pena e Rua Olegário Maciel

A maioria sai da centenária Escola Estadual Bueno Brandão, ou corre para pegar um dos muitos ônibus que ali têm parada antes de chegar no Terminal Central, ou fazem seu horário de almoço tentando se manter longe da correria pulsante de um dia em que se pegou, mais uma vez, no batente. Ou jogam xadrez e damas nos bancos disputados por uma mesma turma que ali vai a anos. Ou vendem toda sorte de bilhetes lotéricos, legais ou não bem assim. Ou atravessam a cidade do ponto Norte ao ponto Sul, ou do ponto Leste ao ponto Oeste.

Rua Olegário Maciel, Ao fundo e à direita a Escola Estadual Bueno Brandão

Como o centro de um labirinto urbano, ou a metade de qualquer ponto a qualquer outro ponto no mundo, é quase impossível passar pela cidade e não se perceber em plena Praça Tubal Vilela — que já foi a Praça dos Bambus, que depois passou a se chamar Praça da República e depois ganhou seu primeiro nome de gente em Praça Benedito Valadares. Lá ela está no meio do caminho desde 1917, até ganhar seu novo nome de prefeito.

Imagem das costas do busto em homenagem a Grande Otelo, cuja o teatro a cidade também deu as costas

Andando por seus quatro lados, bancos avançam brutalmente nos olhos dos pedestres, tentando superar a vista de shoppings populares, lojas de eletrodomésticos, roupas ou produtos de beleza, vendedores ambulantes de toda sorte de quinquilharias e comestíveis, todos os que se atulham entre ruas com nomes de ex-governadores e ex-prefeitos, tentando se situar no caos que Uberlândia se tornou.

Vista da Avenida Floriano Peixoto, frente à duas agências bancárias

A praça deveria ser um lugar de acalmar os nervos, ver o horário no alto da Catedral Santa Teresinha, tomando um picolé a espera de que o estômago se recupere das pancadas de um almoço comido na correria, tendo a esperança de que a metade do dia passe mais rápido. Mas o relógio, ali no alto, lembra a todos da possibilidade de mais um atraso, ou de mais cinco minutos de descanso merecido. Dá poder de mais ao tempo.

Catedral Santa Teresinha, na Rua Duque de Caxias

Mas a praça empurra todo mundo, como um vácuo. A praça é uma enorme engrenagem da cidade. No natal se enche de luzes e uma enorme árvore metálica em seu centro. Nas festas juninas se enche de barraquinhas e música caipira. Em muitas semanas, se enche de vendedores dos artesanatos produzidos na cidade. Por fim, todos os dias, se enche de gente que encontrou no trabalho informal uma possibilidade de sobreviver.

No meio de Uberlândia tinha uma praça, tinha uma praça no meio de Uberlândia.