Dia melhor

Daniel Henriques
Nov 4 · 1 min read

A serenidade do pé de limão me lembra que estou em casa: onde minha identidade pode estar bem firmada em raízes de alegria e descanso. Casa é o lugar onde você pode descansar — do enviesado cotidiano que desarranja, muitas vezes, a garra de viver.

Mas sobretudo quero esta serenidade... A serenidade do pé de limão: espinhos em seu caule (porque a vida pede espinhos), altas copas para esta época do ano (?). Fora os frutos. Na acidez do destino!… no desatino da fruta verde.

Chega a ser uma alegria. Quantas vezes não estive a conversar com o limoeiro! Quantas vezes ele me nutriu de vitamina C.

A vida é meio assim: uma alegria atrás da outra, uma descoberta!… resta prestar atenção na erva do campo, na planta da varanda. Na urgência de viver somente o essencial em detrimento do obscurecer da razão em prol do que nada vale.

Na urgência da vida (breve?) do limoeiro do quintal.

Qual é o valor das coisas?

Quem pode medi-lo?

Não queria outra árvore aqui. Basta o pé de limão; sua serenidade e desleixo são suficientes para mim. O que é um espanto, porque homem é bicho insatisfeito.

Não sabe agradecer e nem pedir perdão.

Penso que o mundo carece mesmo não é nem de mais amor, mas, sim, de mais arrependimento…

De mais dias melhores.

De mais limoeiros no quintal.

    Daniel Henriques

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    "... por amor, não por acaso."