Dia melhor
A serenidade do pé de limão me lembra que estou em casa: onde minha identidade pode estar bem firmada em raízes de alegria e descanso. Casa é o lugar onde você pode descansar — do enviesado cotidiano que desarranja, muitas vezes, a garra de viver.
Mas sobretudo quero esta serenidade... A serenidade do pé de limão: espinhos em seu caule (porque a vida pede espinhos), altas copas para esta época do ano (?). Fora os frutos. Na acidez do destino!… no desatino da fruta verde.
Chega a ser uma alegria. Quantas vezes não estive a conversar com o limoeiro! Quantas vezes ele me nutriu de vitamina C.
A vida é meio assim: uma alegria atrás da outra, uma descoberta!… resta prestar atenção na erva do campo, na planta da varanda. Na urgência de viver somente o essencial em detrimento do obscurecer da razão em prol do que nada vale.
Na urgência da vida (breve?) do limoeiro do quintal.
Qual é o valor das coisas?
Quem pode medi-lo?
Não queria outra árvore aqui. Basta o pé de limão; sua serenidade e desleixo são suficientes para mim. O que é um espanto, porque homem é bicho insatisfeito.
Não sabe agradecer e nem pedir perdão.
Penso que o mundo carece mesmo não é nem de mais amor, mas, sim, de mais arrependimento…
De mais dias melhores.
De mais limoeiros no quintal.
