Moloque
Hoje uma amiga minha me mostrou um vídeo no Twitter que embaçou a minha noite: uma drag queen num bar em NY fazendo uma performance meio que musical golpeou com uma faca uma barriga de grávida falsa que estava vestindo.
O vídeo não para por aí.
Além da vulgar e sanguinária perfomance ter começado com uma “mãe” esfaqueando a sua própria barriga, a drag fez questão de retirar um bebê de brinquedo e um cordão umbilical falso da “barriga” esfaqueada, dando alusão ao filho que a personagem acabara de abortar, ou, num bom português, da pessoa que ela acabara de assassinar.
Como se não bastasse o instinto assassino dessa mãe endiabrada, o fim da apresentação se deu com o ator “bebendo” o sangue do bebê e despejando o sangue falso sobre si aos risos.
É lícito rir de Auschwitz?
É lícito zombar das pilhas e pilhas de corpos queimados ao ar livre em Dachau?
“Os judeus não são gente de verdade. Os judeus são empecilhos. Os judeus são o problema. Os judeus não têm sentimentos. Os judeus não sabem de nada. Os judeus são os culpados de tudo. Os judeus, os judeus, os judeus…”
“Os judeus merecem morrer.”
Se não é lícito, por que zombam, então, do Holocausto contemporâneo?
São só um amontoado de células. Não são nem gente de verdade; e, caso fossem, a mulher que deveria decidir se devem viver ou não. Cabe a ela legitimar ou banalizar a vida. Caso seja mesmo vida…
Sinto-me ilhado, em pleno século XXI; enquanto discursos demagogos de saúde, segurança e liberdade são vendidos e consumidos em cada esquina, enquanto a vida de milhões de seres humanos é ceifada sem contemplar a luz do dia e da razão…
São tempos difíceis para aqueles que amam viver. Mais ainda para aqueles que poderiam viver, mas não podem sequer permanecer vivos.
Hoje em dia é lícito chamar aborto de healthcare, mas é ilícito questionar o porquê.
Hoje, é lícito querer que matar ou não alguém seja direito concedido sem pensar duas vezes.
Hoje, paga-se mal com mal — , mata-se para se livrar de mal pior que veio ou que um dia pode vir. O trauma do infanticídio em busca da resolução de uma qualidade de vida infeliz, de violência, violação…
Eles sofreriam tanto…
As circunstâncias diluíram a vida no ventre, e os índices gritam socorro!
Uma outra amiga minha, ainda esses dias, foi chamada de maluca, imatura e cabeça dura na faculdade por não concordar em matar bebês sob nenhuma circunstância. Ela não vestiu a capa da insensibilidade, apenas não concordou que matar fosse a melhor maneira de se resolver ou enfrentar um dilema que a vida montou.
A vida humana não é piada de drag embriagada de desprezo, nem escambo farisaico de quem sofre mas não quer pagar o preço. A vida humana, nem que por um segundo de vida, vale mais a pena que a mais profunda escuridão da irrevogável morte proposta em tantos leitos.
Durmo hoje aflito por saber que os malucos têm sido calados enquanto os sanguinários têm alcançado as mídias, os mais jovens e os microfones.
Hoje, é lícito lutar pelo direito de matar, mas não pelo de ficar vivo.
Que Deus nos ajude.

