Minha primeira experiência como Comunicadora
Iniciei minha carreira contando histórias.

Sim, sou formada em Relações Públicas, mas como a região em que cresci ainda não sabe o que é RP e nem sonha com o que a gente faz, busquei meu primeiro estágio em um jornal local.
Foi no ano em que iniciei o curso de Comunicação na Unijuí e assim, poderia trabalhar em Crissiumal durante o dia e às 16h50min pegar o ônibus que me levaria durante três anos até Ijuí para assistir às aulas.
Trabalhava no jornal de “segunda à sábado” — cito entre aspas pois quem trabalha em jornal sabe que é um trabalho 24/7 — e estudava apenas 3 noites naquele primeiro semestre.
Crissiumal é uma cidade pequena, possui dois jornais semanais e dois portais online, que dão conta do recado. Portanto, não existe uma equipe em cada jornal responsável por cada pauta, existem 3 ou 4 pessoas encarregadas de produzir todo o jornal, desde pautas à diagramação e anúncios.
Comecei a trabalhar na época da Páscoa e assim, minha primeira pauta foi sobre o significado do chá de macela. Para escrever a matéria busquei relatos de pessoas que tinham o hábito de colhê-la na Sexta-feira Santa e assim, pudessem me ajudar. Em uma segunda-feira ensolarada, peguei uma caneta, um bloquinho, a câmera fotográfica e segui minha caminhada pela cidade para bater na porta de pessoas que pudessem contribuir contando suas histórias. Uma das fotos que tirei para ilustrar a matéria, saiu na capa do jornal naquela semana. Minha alegria foi imensa, confesso. Descrevi o simbolismo do chá, a história por trás dele e das pessoas que seguiam a tradição.
Escrevi muitas matérias sobre diversos assuntos e em poucos dias fui descobrindo que eu estava no caminho certo. O meu sonho não era e nem é ser jornalista, mas percebi com aquela experiência, que estava na área certa e por mais que no início, também não sabia muito o que faz um RP, sentia que a comunicação era pra mim, ou ainda, que eu tinha nascido pra ela.
Três meses depois, troquei o jornal por um estágio de 6 horas diárias, pois a faculdade estava exigindo mais do que eu podia dar conta.
Apesar do curto período jornalístico, aprendi muito e como podem perceber nunca vou esquecer. O jornal me ensinou a perder a insegurança ao abordar as pessoas, a perder o medo de receber um não, a melhorar consideravelmente a escrita e a manter a atenção no que faço, além de buscar inovar para que as pessoas, de fato, prestem atenção em meu material.
Tenho todas as matérias que escrevi naqueles três meses guardadas na casa de meus pais e nelas posso ver a minha evolução e também lembrar, o quanto me diverti ouvindo e contando histórias.