Daniel Israel
Sep 6, 2018 · 2 min read

Descomposturas de um impostor

O impostor adora dizer que se identifica politicamente com o atual presidente dos EUA.

Este, por sua vez, já depois de eleito, tinha acirrado de tal maneira os ânimos no país, inclusive pelas figuras que cativou durante a campanha de 2016 (Steve Bannon, o jornal de extrema-direita “Breitbart News”, Ku Klux Klan e chamada “nova direita”, ou alt-right), que quando tiveram as passeatas simultâneas em Charlottesville (Carolina do Norte), parecia óbvio que aquilo acabaria mal.

A moça do grupo antifascista que morreu atropelada foi “só” a certeza mais trágica daquele sábado ensolarado em 2017. Às judias e aos judeus que rezavam na sinagoga da cidade, foi sugerido que saíssem por uma porta lateral.

Afinal, em oposição ao que pensam incautos e ignorantes, quando se trata da escalada fascista, judias/eus, negras/os, imigrantes (sobretudo, os de baixa qualificação), trabalhadoras/es organizadas/os e a esquerda em geral estão exatamente no mesmo barco. De uma forma reducionista: ou se salva todo mundo, ou ninguém permanece vivo.

Pois quando o impostor incensa contra o Estatuto do Desarmamento, tendo ele entregado a própria arma num assalto, e fala em “metralhar a petralhada”, que “não estupraria uma mulher porque ela feia e não merece”, que “a minoria tem que se curvar à maioria”, pode ser que o nosso barco continue navegando. Mas à deriva, com poucas condições de voltar à terra-firme.

E como qualquer impostor, o que tem mais audiência no momento não colocaria a própria aventura eleitoral politiqueira a prêmio senão para ser visto pela maioria no seu segundo momento de fraqueza (o primeiro, segundo ele, foi quando “fraquejou e teve uma menina”). Para, com isso, emplacar o seu carreirismo baseado em descomposturas.

A ele bem como a seus apoiadores, nenhuma credibilidade e o completo desprezo. Pela vida pública dele, pelo que ele semeia ao almejar a Presidência da República e pela sem-vergonhice de uma encenação mequetrefe em Juiz de Fora.