O IRREPRESENTÁVEL E SUA FUNÇÃO SOCIOLÓGICA!

A investigação hegeliana acerca de assuntos tangentes à ‘exclusão do real’, matéria que adentra nas questões pormenorizadas sobre a imitação relativa, se limita, em parte, a explicar de forma declarativa as vias exclusivas e didáticas da representação.
Mediante as diversas faculdades de percepção auditiva, a representação sofre fortes tendências transversas no sentido de ofuscar a própria sensibilidade da representação. Isso porque, a relação performática que se dá entre o sujeito protagonista e o sujeito antagonista, muitas vezes, se vale da supervalorização egoísta por parte de cada um dos sujeitos. Com efeito, a transparência fenomenológica da representação, termo que caiu em desuso a partir dos estudos do modelo contemporâneo de representação de Meyerhold, na Rússia, segue corriqueira pelas lateralidades complementares da perspectiva neo-melancólica evidenciada no início dos anos vinte, na Inglaterra. Peter Brook, o encenador de maior destaque dentro dos parâmetros paradigmáticos da representação, se vale da nova perspectiva idealizada da não idealização das personagens. O ator negro fazendo Hamlet, por exemplo, evidencia a contramão pela qual segue Peter em comparação a outro encenador da nossa contemporaneidade, Iacov Hillel. Para este, torna-se quase essencial o phisic de role ¬– expressão que denomina a necessidade de as características físicas do ator se assemelharem às da personagem — impossibilitando qualquer outra forma de evidência representativa.
Os moldes dos objetos irrepresentáveis, no bojo da tradição teatral pós-dramática, privilegiam imponentemente a resistência única da prerrogativa máxima que exalta Hans-Thies Lemann no seu livro de capa verde e um leão dourado. Contudo, a sensação de confinamento corporal estilístico realça a história do surgimento da representação em sua premissa biográfica. O irrepresentável, por sua vez, sucumbe aos aspectos heterogêneos da alternância visual da qual se vale o espectador. Ora, o protagonismo exacerbado de certas figuras circulantes nas galerias parisienses em meados do século XVIII, por exemplo, trouxe à tona um dos maiores questionamentos sobre a temporalidade da medida representável.
Isto posto, não se deve creditar hipótese alguma, o fardo deliberativo das regras básicas da representação, que na medida da teatralidade pós-dramática, é confundida com interpretação. Equívoco crasso. A possibilidade fenomenológica da espacialidade fugaz da estrutura normativa da representação, tal qual foi identificada na sua origem, não incorpora a sensorial realidade mental. Ou seja, a conclusão da qual se cogita um controle rígido por parte da academia, gira em torno da questão única do irrepresentável, bem como da sua função sociológica em termos definitivos de ação, duração, pausa e discurso.

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