O encontro com o grande monstro branco.

A crise de ansiedade e pânico é como se fosse aquele amigo ou conhecido que você não quer encontrar no meio da multidão. Você se afasta e se esconde atrás dos desconhecidos sem rosto, vira pro outro lado e espera que ele não te encontre mas uma hora a luz vai bater no seu cabelo vermelho de uma forma que não vai ter jeito e ele vai te pegar desprevenido com o papo mais desconfortável possível. “E o namorado?”, ele pergunta, sobre o término mais dolorido que você já passou na vida e já aconteceu há alguns meses.

Hoje esse desconhecido me pegou depois de dias fugindo faceira. Eu sentia sua presença aonde ia e a pressão era arrebatadora no meu peito. No domingo, finalmente enfreitei a vida com uma atitude corajosa e fui andar de bicicleta no Minhocão pra sentir o vento na cara e falar pra mim mesma que sou uma mulher livre, e que o pânico não poderia me pegar se eu não permitisse. E não pegou. Talvez minhas pernas pedalassem mais rápido do que ele naquele momento. Mas hoje ele se vingou com toda força enquanto eu estava parada distraída esperando o ônibus para o trabalho.

Eu pensei que fosse morrer.

Vi o sentimento virando a esquina quase como se fosse uma pessoa. Um grande monstro branco. Senti seu cheiro, sua presença física. Foi tomando conta de mim como um enorme, quente e sufocante abraço de urso. Comecei a suar frio, tudo ficou escuro. Uma senhora tocou minha mão e perguntou se eu precisava de ajuda. Meus lábios perderam a cor. Eu saí correndo de volta pra casa e me enfiei por meia hora debaixo do chuveiro gelado.

Agora não consigo parar de espirrar e meu rosto dói, pela sinusite. Mas meu peito está um pouco mais leve porque estou na minha jaula, minha cela, que é meu quarto. Presa, mas segura.

Aqui ele não pode me pegar.

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