“Farewell to Anger”, de Leonid Afremov.

Menos religião, mais amor

Como a religião está destruindo o que deveria estar ensinando.

Durante toda minha infância e boa parte da adolescência, participei ativa e continuamente de uma igreja evangélica. Se você acha, porém, que isso me torna uma pessoa religiosa, está enganado.

Não me entenda mal, acredito sim nos ensinamentos e preceitos morais ensinados pelas igrejas — ao menos, pelas que ainda não se tornaram grandes meios de enriquecimento pessoal — e em uma força maior do que todos nós em ação no universo — chame-a de Deus, se quiser.

A religião, porém, vai contra todos esses preceitos ao selecionar, segregar e excluir, quando deveria somar, agregar e abrigar.

E o principal erro é pensar que um conjunto de regras é o que separa pessoas boas das ruins, os de bom coração dos perversos. Mais ou menos obediência ao que a Bíblia diz não nos torna mais ou menos pecadores, ou sequer nos faz melhores ou piores seres humanos.

Se você se acha melhor do que eu porque vai à igreja todos os domingos, faz preces constantemente ou casou-se virgem, tenho boas notícias: você não é.

Segundo o próprio apóstolo Paulo:

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;”
— Romanos 3:23

Ao estabelecer essas regras de conduta — muitas delas sem nenhuma relevância espiritual — e exigir que nos encaixemos nelas para assim fazer parte do corpo de membros, a igreja está deixando de fora pessoas que mereciam estar dentro das quatro paredes do templo tanto quanto qualquer um.

“Porque se a graça é água, a Igreja deveria ser um oceano. Não um museu para pessoas boas, mas um hospital para os feridos.”
— Jefferson Bethke

Agora, imagine que esse conjunto do que se deve ou não fazer desaparecesse. Imagine que as igrejas abrissem suas portas para todas as pessoas, sem discriminação. Imagine ainda que a mensagem transmitida pelos pastores e bispos, ao invés de “endireite-se e pare de fazer o que está fazendo errado, para que Deus o aceite”, fosse algo semelhante a “Deus te ama e aceita como você é, e eu também”.

Porque é disso que se trata a mensagem de Jesus Cristo. Se trata de respeito e amor ao próximo, sem distinção de cor, gênero ou classe social.