como podemos nos livrar, eu e você, um do outro

São 17h e 5m. Uma hora do dia peculiar para pensar em como podemos nos livrar, eu e você, um do outro. O expediente termina ás 18h. O trabalho foi concluído bem antes disso, já às 16h30. Hoje não almocei. Quis engolir minha hora de almoço com uma garrafa de café amargo. Bem tópico para uma segunda-feira esse gosto de expresso e gastrite.
Omeprazol, cafeina e uma barra de cereal vagabunda que já fazia parte dos itens da gaveta. Que mistura boa para pensar em como podemos nos livrar, eu e você, um do outro…

As segundas, inconfundíveis em sua configuração. Ressaca, café, trabalho, telefonemas, conversas fingidas sobre o fingido interesse na tabela do Brasileirão “…marcou quantos pontos no Cartola?…”. Depois vêm “política”, depois mulheres, depois falar mal do chefe enquanto toma o cafezinho do self-service. Motivos pelos quais prefiro a barra de cereal e o feed de “notícias” no facebook a ir com “a turma” almoçar em especial nessa segunda-feira. Sempre uma boa hora para pensar em como podemos nos livrar, eu e você, um do outro…

Sorriso falseado como resposta ao relato do fim de semana que seu chefe teve com a família no Hotel Fazenda Aras de… “Vocês precisam conhecer esse lugar, bem familia! É incrível a comida, as piscinas e tem também blá blá blá…”. São 17h10. Estou com fome, sono, e agora, entediado com essa conversa fiada — mais BLÁ BLÁ BLÁ. Balançar com a cabeça e desejar não absorver nada além do necessário para devolver a ele respostas pontuais, caso existam perguntas pontuais. Ele finge que gostou, eu finjo que estou interessado, a conta não permite erros. Seria sim, essa, uma boa hora para pensar em como podemos nos livrar, eu e você, um do outro…

Parece que o meio dia sinaliza o ponto de reverse do dia. Tudo vai voltando. Da quantidade de trabalho à quantidade de disposição. Da quantidade de luz à necessidade de ajuste ao ar na sala climatizada. Bate o ponto, Bom dia, Boa noite. O trânsito é o mesmo da manhã, o resto de Sol na cara parece o mesmo da manhã, os carros, as caras de bunda que avançam e param ao lado do seu carro são as mesma. Adicione o mesmo stress, a mesma ressaca — agora de tédio — às mesmas músicas, mesmas notícias, e eis que a segunda-feira termina seu ciclo >>/<<.

Tudo é igual nesse lugar, esse corpo que perambula em ciclos viciosos, conversas vazias, olhares vazios. É uma boa hora, é um bom lugar esse que carrego para pensar em como podemos nos livrar, eu e você, um do outro.

por Daniel Rocha

Conjunto — Daniel Rocha
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