Redes sociais e a velocidade da nossa solidão

A gente, às vezes não se dá conta do quão nocivas são algumas práticas que se naturalizam constantemente em nossas relações. Isso, até percebe-las, com progressivas consequências materiais que nos vão acometendo.

Vejamos a internet, cada vez mais ligeira, cada vez mais atualizada e acessível. Aplicativos pra tudo! Pra mandar e receber ~nudes~ fotos, acessar aulas sobre qualquer conteúdo, fugir das blitz, fugir de engarrafamentos; fugir, encontrar, conhecer. Tem pra tudo!

Até aí ok, ótimo! Mas a velocidade com a qual estamos ~tentando~ nos acostumando, me parece bem nociva quando impressa nas relações uns com os outros. Me parece que cada vez mais queremos a mesma rapidez, agilidade, atualização e acessibilidade, cada vez mais, não só nas máquinas.

… pelo menos não ainda

Não, de fato não somos máquinas! Algumas vezes a internet até nos questiona isso “digite ABCD para que saibamos que não é uma máquina” pede alguns sites antes de nos cadastrarmos. E de fato, acredito que não queremos ser máquinas, não com o conceito profundo de razão e lógica com os quais elas são pensadas. Mas estamos indo nesse rumo (?).

Nos tornamos reféns da superficialidade

As relações, aquelas mais profundas e mais substanciais, com as quais temos mesmo uma certa dependência - dessas às outras mais corriqueiras, e nem por isso menos importantes, todas elas tratadas com a urgência que alimenta também nosso ego e carência coletiva. Temos sentido uma profunda fadiga por excesso de vazios.

Ora, é como um sistema fabril! Exige-se muito tempo para atender a alta demanda de atualizações dos nossos consumidores de Instagram, Snapchat, facebook, Twitter, WhatsApp, Tinder (a lista é grande) pra tudo isso, sem contar com obrigações básicas na vida não virtual. Não é possível criar empatia, sensibilidade ou profundidade com o pouco tempo que nos resta- damos a todos peças pre moldadas, iguais, muitas vezes carentes de singularidades.

Não sou e nem pretendo ser militante do abandono de todas as redes e mídias sociais, na verdade nem creio que seja possível, estamos rumo ao ápice dessa nova forma de relacionamento com o outro e o meio. O que me preocupa aqui é o quanto esses excessos têm passado diante de nós sem uma reflexão, sem um filtro sequer. Estamos nos sufocando e sufocando as outras pessoas ao nosso redor com uma necessidade que não me parece humana. Ao passo de um clique descartamos quem não corresponde às minhas exigências de rapidez, singularidade ideológica ou comportamental.

A solidão que essa urgência de atualizar-se cada vez mais rápido nos traz é assustadora. A ausência, até mesmo de personalidade, assusta também, ao passo de que há na rede modelos de sucesso para serem seguidos e incorporados. É o sucesso nas redes sociais, como extensão da vida não virtual que queremos (?) Um vício que, a princípio, tenta nos curar da solidão a qual assola também nossa geração. No entanto, tem nos feito cada vez mais reféns, cada vez mais cativos.

E a conversa se estende. 
Caso deseje, compartilhe, comente e colabore com essa “isca” necessária ao debate. :)

por Daniel Rocha

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