Em uma tribo diferente

Danielly Engelmann
Aug 8, 2017 · 3 min read

Membro da Aldeia Kaingang, localizada no norte do Rio Grande do Sul, entre Nonoai e Serrinha, Onório Moura, 27 anos, é um dos indígenas que fazem parte do corpo discente da Universidade Federal do Pampa. De uma família de nove irmãos, dos quais é o único ingresso em uma academia, busca através de sua formação em Relações Públicas com Ênfase em Produção Cultural, dar visibilidade e valorizar ainda mais sua origem indígena.

Criado em bases indígenas tradicionais, desde jovem tinha o desejo de percorrer uma carreira acadêmica. Foi então, que em 2011, ao saber do processo de cotas indígenas, decidiu aceitar o desafio de ingressar em uma Universidade. Sua primeira opção foi a UNIPAMPA — Campus Alegrete onde cursou dois anos em Engenharia de Software. Entretanto, a adaptação com a comunidade urbana e com os instrumentos eletrônicos trabalhados no curso, fez dessa fase da vida do índio Kaingang uma das mais difíceis e de maior superação.

Assustado, ao ver-se longe da sua comunidade de origem, e rodeado por um mundo totalmente capitalista, por muitas vezes pensou em desistir de seu sonho de graduar-se. Porém, viu no curso de Relações Públicas do Campus São Borja, mais uma chance de mostrar a todos que duvidaram de si, que mesmo sendo índio e albino, poderia sim ter uma graduação superior.

Atual acadêmico do sexto semestre do curso, vê na sua formação uma ferramenta importante no processo de valorização de sua cultura. Já que acredita que os paradigmas de preconceitos contra os indígenas devem ser quebrados, “devemos entender que a comunidade indígena é como qualquer outra, e que tem que ter sua cultura e seus direitos respeitados”.

No vídeo a seguir, acompanhe a entrevista ping pong realizada com o acadêmico indígena Onório Moura, e descubra algumas das suas preferências pessoais.

Agora que você já sabe alguns dos gostos preferidos do acadêmico de Relações Públicas da Unipampa, Onório Moura, acompanhe algumas fotos e citações, registradas durante a entrevista.

“Como indígena vou sempre procurar contribuir com o meu povo”
“A graduação contribui não só para o meu crescimento profissional, mas também pessoal, eu aprendi muito durante esse período que estou na Unipampa”.
“Uma das maiores diferenças entre a comunidade indígena e a comunidade urbana é o convívio social. Porque na aldeia somos acostumados a conviver coletivamente, e aqui o individualismo prevalece”.
“Devemos evitar pré rotular os indígenas”.
“Preservar os costumes é muito importante para mim, tenho orgulho em dizer que sou índio”.
“Ser indígena é vencer preconceitos, é dar visibilidade para a minha cultura e levar para frente a minha geração”.

*Reportagem realizada para a editoria Protagonistas da revista digital experimental Hello Texas.

    Acadêmica do 6º semestre do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Pampa — campus São Borja.

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