Ocupe seus direitos
Em tempos de turbulências políticas e econômicas, todos aqueles que temem por um futuro melhor, buscam reivindicar por seus direitos. Os movimentos estudantis foram a forma que os jovens, principais personagens desse futuro, encontraram para terem seus direitos ouvidos.
Vindas de um contexto histórico antigo, as ocupações são assuntos nas principais rodas de conversa daqueles que acreditam que dialogar a procura de melhorias é melhor opção. No Brasil, as mais de 200 escolas ocupadas, por alunos que protestam contra a PEC do teto dos gastos públicos e contra a reforma de Ensino Médio, fez com que a sociedade despertasse um novo olhar sobre a busca por melhores condições.
Ser a favor ou contra, tanto faz. No momento atual, a questão passou a ser a busca pela certeza de que finalmente a educação brasileira vai ser respeitada. Alunos e professores não lutam apenas por si, mas por toda uma geração. Lutam pelo direito de participação em decisões públicas, desejam fazer da educação brasileira um exemplo a ser seguido na construção de uma história de qualidade.
O conforto da própria casa, discussões por pontos de vista diferentes, e indiferenças no convívio, tudo isso é deixado de lado. Talvez nunca tenha se visto tamanha união na luta por alguma coisa. As ocupações, e todos as atividades desenvolvidas pelos grupos estudantis servem para mostrar ao atual governo que os jovens precisam sim serem ouvidos, e que o processo de construção do conhecimento pode também começar pela base primária.
Todos concordam que algo precisa ser feito, mas congelar gastos não é a melhor opção no momento. O congelamento não vai fazer com que os mais de 1,6 milhões de jovens fora da escola voltem para elas, dar a oportunidade de escolha de que matéria fazer ao aluno não vai o fazer mais inteligente, isso porque, é preciso entender que todo ensino é fundamental. Encarar a realidade que muitas vezes é deixada de lado, é ver que a cada dia que passa, deixamos algo de ruim as gerações futuras. Ter uma educação de qualidade, e o direito a liberdade de expressão é nosso direito e devemos lutar para que seja direito garantido do futuro também.
Não sabemos ao certo como toda essa história vai acabar, não sabemos se a população vai ter seus direitos garantidos, e muito menos quais serão os próximos passos do governo — esse que tanto gera dúvidas e discórdias — não sabemos sequer, se daqui 365 dias, por exemplo, teremos escolas com uma estrutura adequada e com profissionais qualificados para atender nossas crianças e jovens. Entretanto, não se pode deixar o medo do incerto nos parar, lutar pelos nossos direitos não é querer aparecer na mídia. É querer mostrar ao mundo, que mesmo longe do final dessa história toda, depois de muitos protestos, ocupações e gritos de guerra, a única certeza que temos, é que a educação brasileira e a maneira do povo buscar por seus direitos nunca mais será a mesma.
*Texto opinativo produzido para a disciplina de Produção de Jornal, sobre as manifestações enfrentadas durante o segundo semestre de 2016.
